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11 de abril de 2016

Orações Relativas IV - Genitivo

Este é o quinto tópico sobre Orações Relativas. Seria melhor ler os tópicos na ordem. Então se você não tiver lido as primeiras partes, por favor, clique nos links abaixo e leia tudo na ordem:
Introdução aos Pronomes Relativos - Clique aqui
Parte I - Pronomes Relativos no Nominativo Clique aqui
Parte II - Pronomes Relativos no Acusativo - Clique aqui.
Parte III - Pronomes Relativos no Dativo - Clique aqui.

Hoje vamos falar sobre Orações Relativas com os Pronomes Relativos no Genitivo. Aqui estão os pronomes relativos:

Partindo do princípio de que você já tenha lido as partes I, II e III sobre os pronomes relativos no nominativo, acusativo e dativo, vai ser mais fácil explicar a lógica da coisa.

Os pronomes relativos do genitivo são diferentes dos respectivos artigos definidos (des e der), mas são fáceis de lembrar justamente por conta dos artigos (dessen para masculino e neutro e deren/derer para feminino e plural).

A regra é a mesma: O gênero (masculino, feminino ou neutro) e o número (singular ou plural) quem dá é o substantivo que vem ANTES da vírgula. Os pronomes relativos no genitivo são usados sobretudo quando o genitivo tiver uma ideia de posse (ou seja, na oração original vai se referir a um possessivo - normalmente sein(e) ou ihr(e)). Em português, os pronomes do genitivo são traduzidos normalmente como cujo(s), cuja(s).

O que causa mais confusão para os aprendizes é o fato de os pronomes relativos do genitivo junto com o substantivo que os acompanha aparecerem com outras funções sintáticas e em outros casos na oração (nominativo, acusativo, dativo) relativa. Isso se deve ao fato de que o genitivo vem apenas marcar a relação de posse (de quem? do quê?), não a função sintática do substantivo. Vou dar exemplos.

Se alguém te perguntar "Com que tipo de homem/mulher você quer casar?" (Was für einen Mann/eine Frau willst du heiraten?) você poderia responder:

Eu gostaria de me casar com um homem/uma mulher...
Ich würde gerne einen Mann/eine Frau heiraten, ...
- que seja bonito(a). (... ist schön / ...sieht schön aus)
- que me ame. (... liebt mich)
- que eu ame. (... ich liebe ihn/sie)
- que eu entenda a língua dele/dela. (... ich verstehe seine/ihre Sprache).


- que seja bonito(a). (... ist schön / ...sieht schön aus)
No primeiro caso temos o caso nominativo, pois a pessoa seria o sujeito da oração "ser bonito(a)".
... der/die schön ist. / der/die schön aussieht.

- que me ame. (... liebt mich)
Neste caso novamente temos o nominativo, pois é a pessoa em questão que "me ama".
... der/die mich liebt.

- que eu ame. (... ich liebe ihn/sie)
Já neste caso temos o caso acusativo, pois quem ama sou eu e a pessoa se torna objeto do verbo "lieben".
... den/die ich liebe. 

- que eu entenda a língua dele/dela. (... ich verstehe seine/ihre Sprache).
Voilà. Aqui finalmente temos uma relação de posse. Estamos falando sobre a língua desta pessoa. Não sobre a pessoa em si. Na linguagem oral no Brasil, esta é a forma como a maioria falaria. Na linguagem culta devem-se usar os pronomes cujo(s) ou cuja(s) para indicar essa relação de posse. Na linguagem culta a frase seria "... cuja língua eu entendo".

Em português o pronome "cuja" concorda em gênero com o substantivo "língua". Mas lembre-se de que em alemão é diferente. O gênero e o número a gente busca sempre ANTES DA vírgula. Então as frases seriam assim:

Eu gostaria de me casar com um homem cuja língua eu entendo.
Ich würde gerne einen Mann heiratendessen Sprache ich verstehe. 

Eu gostaria de me casar com uma mulher cuja língua eu entendo.
Ich würde gerne eine Frau heiraten, deren Sprache ich verstehe. 

Repetindo: Mesmo que em português a frase "cuja língua" fique igual nos dois casos, em alemão o pronome relativo sempre concorda em gênero e número com o substantivo que vem ANTES DA vírgula, não depois. O genitivo está ali, pois na frase original há um sentido de posse "a língua dele (seine Sprache)" ou "a língua dela (ihre Sprache)".


Agora vem a parte que muitos confundem:

Na oração "Ich verstehe seine Sprache", o termo "seine Sprache" está no acusativo. Certo? Eu (sujeito) entendo o quê? A língua dele. Acusativo. Certo? Então o caso de "dessen Sprache" continua sendo o mesmo: ACUSATIVO!

Mas meu Deus! Então se é acusativo, o que diabos um pronome do genitivo está fazendo lá?
Resposta: o genitivo vem APENAS marcar a ideia de posse, pois você não estava falando do homem e sim de algo dele, no caso, a língua dele. Os pronomes relativos do genitivo podem vir então acompanhados inclusive de preposições que pedem normalmente acusativo ou dativo, pois eles estão marcando apenas a ideia de posse.

Vou dar mais um exemplo.
Ich würde gerne einen Mann heiraten. Ich verstehe mich gut mit seiner Mutter. 
Eu me casaria com um homem. Eu me dou bem com a mãe dele.

Prestem atenção ao termo "mit seiner Mutter". Está no dativo por conta da preposição mit. O pronome seiner dá a ideia de posse. Estamos falando não do homem, mas da mãe dele. Na hora de substituir esse possessivo, na oração relativa vai aparecer um pronome relativo no genitivo.
Vamos tentar:

Ich würde gerne einen Mann heiraten. mit dessen Mutter ich mich gut verstehe. 

Repetindo:
Por que depois da preposição mit não se usou o dativo? 
Porque não estou me referindo ao homem com quem me casaria e sim à mãe dele. Para indicar a posse usa-se o genitivo. É só substituir o possesivo seiner da oração original pelo pronome relativo no genitivo. Em português também é possível dizer "com cuja mãe eu me dou bem".

Se Mutter é feminino, por que se usou o pronome do masculino dessen?
Porque em alemão o gênero (masculino, feminino, neutro) e o número (singular, plural) do pronome relativo concordam com o substantivo antes da vírgula. Mann é um substantivo masculino singular, por isso o pronome relativo deve estar no masculino singular, mesmo que a palavra Mutter seja um substantivo feminino.

Então quer dizer que "mit dessen Mutter" está no genitivo? E a regra de que mit só se usa com dativo? 
Não. Mit dessen Mutter está no dativo. O dessen está ali marcando apenas a ideia de posse. É como se estivesse ali um possessivo: mit seiner Mutter.

Ficou claro? :-)

Qual a diferença entre deren e derer no feminino/plural?
O pronome derer é usado raramente. Ele nunca acompanha substantivos e se relaciona com algo que ainda vai ser citado na oração (diferente do deren que se refere a algo/alguém que já foi citado).

Ex.: Dabei sind die Reaktionen derer, die sich nicht schriftlich ausgedrückt haben, heute nicht mehr nachzuvollziehen. Com isto as reações daqueles que não se expressaram por escrito não podem ser entendidas.

E agora a última pergunta: no Brasil quase ninguém fala cujo(s)/cuja(s) no dia-a-dia. Na Alemanha o genitivo é pouco usado na linguagem falada. Alguém usa esses pronomes do genitivo no dia-a-dia?

Jein (sim e não). Esses pronomes quase nunca são usados na linguagem oral na Alemanha, pois soam muito formais e muito certinhos. Mas sempre tem alguém que gosta de se expressar de forma clara e usa o dessen/deren. A maioria dos alemães usa outras formas na linguagem coloquial. Um exemplo é usar os pronomes no dativo + substantivo em outro caso (que depende da função na oração) geralmente com possessivos.

Linguagem formal: Polizisten haben im Düsseldorfer Hauptbahnhof einen schlafenden Obdachlosen gerettet, dessen Kleidung in Brand geraten war.
Linguagem informal: (...) gerettet, dem seine Kleidung (...).
Português: Policiais salvaram um sem-teto que dormia na estação central de Düsseldorf, cuja roupa havia pegado fogo.

Mas é óbvio que você pode usar os pronomes no genitivo sempre. Não é errado. As pessoas vão até elogiar o seu alemão.

Se vocês ainda têm dúvidas sobre orações relativas, enviem suas dúvidas para mim (deutsch@aprenderalemao.com)

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