PESQUISAR NO GOOGLE

Faça sua busca aqui:
Pesquisa personalizada

PESQUISAR NO BLOG

Mostrando postagens com marcador dicas para o aprendizado. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador dicas para o aprendizado. Mostrar todas as postagens

19 de agosto de 2017

Como acelerar o aprendizado de alemão

1) Você já está fazendo cursos de língua alemã há um tempo, se mata tentando entender acusativo e dativo, mas não consegue manter uma conversa?
2) Você queria poder melhorar a sua capacidade de conversar em alemão?
3) Você queria conseguir tudo isso de forma natural, sem fazer muito esforço?

Se você respondeu SIM às duas primeiras perguntas, continue lendo este texto. Se você também respondeu SIM à última pergunta, sinto muito, o texto a seguir refere-se somente ao aprendizado COM esforço. Fico devendo essa!

Se ficar com preguiça de ler, tem resumo no fim do tópico.

As perguntas a que vou tentar responder aqui é:
a) Por que o aprendizado de línguas em através de cursos presenciais (não-intensivos) demora tanto?
b) Como posso acelerar esse processo, especialmente na área de conversação?

Pergunta A: Por que aprender línguas num curso normalmente demora?

95% dos livros didáticos de alemão são baseados no Quadro Europeu Comum de Referência para Línguas (QECR), o mesmo que definiu os níveis A1, A2, B1 etc. Em Fortaleza, onde eu morava, a maioria dos cursos de alemão promete um nível B1 depois de 3 anos (ou seis semestres). Alguns até mais. Ou seja, são três anos até chegar a entrar no nível intermediário (ou pré-intermediário). Só a partir do B2 é que o nível intermediário se consolida e só a partir do nível C1 é que a pessoa chega ao nível avançado. O mesmo tempo valia para outros cursos de línguas. Ou seja, até mesmo inglês é oferecido lentamente dividido em vários semestres.

Será que não tem como acelerar isso? Vou tentar explicar por que os cursos de línguas normalmente não são tão acelerados.

As pessoas estudam línguas pelas mais diversas razões. Uns querem só ler, outros querem falar, outros querem viajar ao país, outros querem ver filmes, outros querem ocupar o tempo, outros aprendem por obrigação etc. Quando uma pessoa procura um curso ou um professor, a maioria não sabe bem como e o que exatamente ela tem que aprender (n)o idioma. A única coisa que a maioria sabe é que ela quer sair de lá sendo capaz de "tagarelar" naquela língua (ou de entender um filme, ou de escrever uma dissertação, ou de dar uma palestra etc.), em outras palavras, as pessoas querem ser capazes de usar aquele idioma, cada um com seu objetivo.
Como profissionais na área de línguas, imagine que você tenha que criar um curso que atenda as necessidades de QUALQUER uma dessas pessoas. Como é muito difícil atender a todos os gostos e oferecer uma aula particular pra cada aprendiz, parte-se do princípio que todo mundo que se matricula num curso de alemão queira dominar a língua em seus mais diversos usos.
Ou seja, num curso ideal as pessoas aprendem a LER, a INTERAGIR (de forma oral e escrita), a OUVIR e a DISCURSAR (de forma oral e escrita) numa língua. Além disso os cursos partem também do princípio que TODOS estão aprendendo a língua para usar numa ida ao país onde a língua é falada (por isso os materiais são quase sempre com situações de visitantes em outro país).

Sendo assim, os cursos de línguas tentam formar o aprendiz em TODOS os aspectos da língua, mesmo aqueles que não sejam relevantes para a sua vida naquele momento.

Por exemplo, digamos que você more no Brasil, não tenha planos concretos de visitar a Alemanha ainda, mas entre num curso para conseguir manter uma conversa com seu amigo/namorado alemão que mora no Brasil. Mas em vez de aprender a conversar com seu amigo, você passa semanas do seu curso aprendendo lista de comidas e bebidas, a dizer para um funcionário do supermercado que você quer 200 gramas de queijo ou a dizer para um funcionário de uma loja que você quer a mesa marrom, não a preta. Num curso não há como satisfazer apenas o seu interesse em manter a conversa sobre assuntos pessoais com o seu amigo, também é necessário preparar aqueles que querem usar a língua numa viagem ao país ou que pretendam morar lá e que precisarão usar a língua também no supermercado ou numa loja. É por essa razão que não dá pra acelerar seu desejo de conversar com seu amigo. Já já eu explico melhor como acelerar a capacidade de conversar com seu amigo.

Além disso, as escolas tentam treinar todas as habilidades. Digamos que um aluno queira aprender alemão apenas pra usar numa viagem. Talvez ele nunca precise escrever um e-mail formal. Provavelmente nunca precisará ir ao Departamento de Estrangeiros para tirar um visto de trabalho. Talvez nunca precise se comunicar com o seu chefe em alemão por escrito. Talvez nunca precise fazer seu currículo em alemão. Mas os cursos acabam ensinando e treinando essas habilidades, pois sempre haverá aqueles que precisarão disso. E sempre haverá aqueles que gostam de aprender bem a escrita, apesar de quererem aprender mais a comunicação oral.

Então se você quiser aprender a língua por completo, sem pressa, aprender línguas num curso pode ser um bom negócio. Mas lembre-se do que sempre disse aqui no blog. O curso tem que ser apenas UMA das ferramentas que você pra aprender idiomas. O curso não pode ser JAMAIS a sua única fonte de contato com o idioma e não há como aprender idiomas apenas dentro de uma sala de aula. Seu contato com o idioma FORA da sala de aula é que fará a grande diferença.

Obs.: Sobre cursos intensivos. É claro que também você poderá acelerar seu aprendizado fazendo cursos intensivos. Mas como falei antes. Frequentar um curso não garante aprendizado. O curso é apenas UMA ferramenta. Mesmo que você passe mais horas por semana na sala de aula, a diferença será feita no tempo que você passará em contato com a língua FORA de sala de aula. E o que acontece muitas vezes é que depois de 4, 6, 8 horas de alemão num dia só, as pessoas não têm mais saco pra fazer nada em casa.

Pergunta B: Como aumentar e acelerar a sua capacidade de conversação

1) A pressa é a inimiga da perfeição
Muita gente acha que saber um idioma é
saber um dicionário ou uma gramática de cor.
Ninguém precisa saber esses livros 
de cor para se comunicar. 

Tenha em mente uma coisa. Quanto mais perfeito você quiser se expressar num idioma, mais tempo vai ser necessário. Então quanto mais gramática você estuda e quanto mais o seu único foco é não dizer nada errado, mais lentamente você vai aprender aquele idioma.

Se você quiser acelerar sua capacidade de comunicação, mais erros você vai cometer. E cometer erros não precisa ser algo ruim. Se você aceitar os erros como parte do seu processo de aprendizado, conseguirá conversar com pessoas mais rapidamente. Sempre que alguém disser pra você que aprendeu um idioma rápido, tenha consciência de que a pessoa se expôs rapidamente a conversar com pessoas apesar de cometerem vários erros. E à medida que os erros iam sendo corrigidos, a pessoa foi aprendendo cada vez mais. Todo mundo que aprende idiomas rápido USA o idioma com mais frequência.

Não há nada errado em ser perfeccionista e querer dominar um idioma perfeitamente. Mas saiba que isto consumirá mais tempo. Você tem que decidir: saber conversar em alemão em menos tempo cometendo erros e ir aprendendo com os erros ou saber conversar em alemão em muito mais tempo e sem nenhuma garantia de que não cometerá erros (porque afinal quem não erra, não é mesmo?) :-) Você escolhe!

2) Faça e memorize uma lista de expressões para usar como emergência

Se você quiser aumentar sua capacidade de conversar sobre assuntos diversos com um(a) amigo(a) alemã(o), o ideal é focar no vocabulário que você usa durante essas suas conversas. Faça primeiro a lista de coisas a dizer caso a conversa não flua como você espera.

Entschuldigung, meine Aussprache ist nicht so gut.
Desculpa, a minha pronúncia não é muito boa.

Entschuldigung, aber was heißt dieses Wort / was bedeutet das? 
Desculpa, mas o que quer dizer esta palavra / o que significa?

Lass mich bitte ausreden. Danach kannst du mich korrigieren. 
Deixe-me terminar, por favor. Depois você pode me corrigir.

Verstehst du, was ich sage? 
Você está entendendo o que eu digo?

Wie bitte? 
Como? (Pode repetir?)

Faça a sua lista de coisas que gostaria dizer durante a conversa e que podem ajudar a conversa a fluir.

3) Faça e memorize uma lista de palavras comuns nas conversas
Só você sabe sobre quais temas você costuma conversar. É bom não tentar dar um passo maior que as pernas. Se você ainda está começando, não adianta muito tentar explicar a situação política no Brasil em alemão. Tente fazer uma lista de coisas da sua vida pessoal.

No nível A1/A2, eu faço com meus alunos uma lista quase completa de atividades rotineiras. Desde o momento em que eles acordam até o momento de ir dormir. Na lista há atividades como "escovar os dentes, tomar o café da manhã, maquiar-se, ir ao trabalho, pegar o metrô, almoçar, assistir TV, ler os e-mails etc.". Comece você mesmo fazendo uma lista assim com coisas do seu dia-a-dia. Escreva na lista as respostas típicas das conversas.

A lista pode ser simples, feita no Word ou num caderno
Por exemplo... se seu amigo sempre pergunta como foi o seu dia, escreva as diversas respostas que você costuma dar. Não precisa aprender todas as respostas possíveis. Tente focar naquilo que você costuma dizer e ouvir nas conversas.

Wie war dein Tag? Soweit gut. Und deiner? 
Como foi o seu dia? Bom até agora. E o seu?

Se seu amigo perguntar o que você fez durante o dia, faça uma lista de coisas que você costuma responder.

Nichts Besonderes. Ich war auf/bei der Arbeit. Danach war ich im Fitnessstudio und jetzt muss ich noch einkaufen gehen. Und du? 
Nada demais. Eu fui pro trabalho. Depois eu fui pra academia e agora tenho que fazer compras. E você?

A frequência com a qual você realiza determinadas atividades pode ser relevante na conversa.

Achso! Bist du oft im Fitnessstudio? 
Ah, tá! Você vai muito pra academia?

Naja, zwei- oder dreimal pro Woche. 
Bem, duas ou três vezes por semana.

E é assim que a gente vai se preparando para manter conversas. Sobre o que eu costumo conversar? O que eu costumo dizer?

Eu já escrevi um tópico completo com várias dicas para falar alemão mesmo ainda no nível A1 e A2. Você pode ler aqui.

Só a partir do nível B1 é que a gente começa a se preparar melhor para falar sobre outros assuntos que não tenham a ver com assuntos pessoais. Mesmo assim, tente não dar passos maiores que a perna. Lembre-se de que só nos níveis avançados é que conseguiremos nos expressar de forma mais complexa sobre assuntos.

Resumo!
Para acelerar seu aprendizado, você tem que deixar o perfeccionismo de lado e falar, falar, falar sem medo de errar. Quanto mais você quiser dominar a gramática sem errar nada, mais tempo você vai precisar. E mesmo se você passar meses estudando gramática, nada garante que você não vai errar. Para ajudar a conversar, você tem que se preparar com o vocabulário suficiente dos temas sobre os quais você quer conversar. Mantenha os temas de acordo com o seu nível para não se frustrar tentando explicar coisas difíceis além do que você consegue dizer. Assim, você poderá continuar aprendendo a listinha de compras no seu curso de alemão, mas isso não te impedirá de sair do curso e conversar.

Se você não tem com quem falar alemão, uma boa ideia é fazer aulas ou praticar conversação pelo site italki. Você poderá marcar sua aula aqui. Ou pode ler sobre a minha experiência no italki aqui.

Sobre o que é falar um idioma fluentemente, tem um textão aqui.

1 de maio de 2017

4 dicas para falar alemão nos níveis A1-A2

Hoje gostaria de dar algumas dicas para quem ainda está no nível A1-A2 e usa isso como desculpa para não falar/usar alemão com ninguém.
Eu entendo que sempre rola aquele medinho: E se eles não me entenderem? E se eu não souber responder? E se eu ficar boiando? O que é que eu faço? As dicas que eu vou dar agora servem para pessoas que estão num país de língua alemã ou em outro país (Brasil, Portugal etc.). Hoje em dia estou bastante convencido de que praticar a língua mesmo em estágios iniciais ajuda imensamente no aprendizado.

Experiência pessoal
Material que uso pra estudar grego moderno.
Como já contei no blog, eu demorei pra aprender alemão, pois o meu estilo de aprendizado é lento. Eu nunca estudei línguas para "ontem". Sempre fui aprendendo com calma. Em 2015 eu relatei aqui no blog que comecei a estudar grego moderno. Também contei o que consegui aprender em poucas semanas. Já se passaram quase dois anos. O que consegui desde então? A verdade é que ainda estou no nível A1. :-(
Por quê? Porque depois que comecei a estudar apareceram mil coisas na minha vida e estudar grego (que continua sendo um hobby!) passou a não estar na minha lista de prioridades. (Alemão é sua prioridade!?). Bem, como eu aprendo línguas por hobby, não me estressei com isso. Mas no fim do ano passado resolvi retomar o estudo de grego e comecei de novo a estudar 1-2 vezes por semana e estou progredindo lentamente pelo nível A1. As dicas que eu vou dar agora são baseadas na minha experiência de estudante A1 de uma língua que podem se aplicar a quem está estudando alemão agora e tem medo de usar a língua por saber pouco.

Dica 1: Não se estresse com o der, die, das
Grego moderno também tem três gêneros. Eles são até mais fáceis de identificar que os gêneros do alemão. Mas grego tem muitas conjugações irregulares e para formar frases simples é necessário conhecer muitas conjugações. Minha experiência mostra que quando alguém tem nível básico e as pessoas notam que a pessoa está tentando dizer algo na língua, os erros de conjugação, declinação etc. são ignorados quando a mensagem é entendida. E o melhor de tudo: as pessoas vão até elogiar o que você conseguir dizer. "Nossa, você só errou a conjugação de verbo tal, mas o resto tava tudo certo". Pra quem sabe falar pouco, é um elogio e tanto.
Então não se estresse com der, die, das. Fale tudo trocado mesmo no começo. Acredite... as pessoas não ligam, desde que consigam entender a mensagem. Enquanto isso você vai tentando memorizar os gêneros das palavras, mas não deixe de conversar porque ainda não domina tudo.
Mesmo em outros idiomas que sei falar melhor, ainda cometo erros. Normalmente as pessoas não ligam. Não exija perfeição de si mesmo porque a maioria das pessoas também não exigem.

"Ah, mas na minha prova eu perco ponto se não souber o der, die, das". Não estude alemão pra prova. Estude pra vida. Na vida real, as pessoas não ligam se você trocar o der/die/das, principalmente ao notarem que você ainda é iniciante.

Livros de alemão do nível A1
Dica 2: Comece praticando a língua em doses homeopáticas
Às vezes as pessoas vêm pra Alemanha falando pouco ou zero de alemão, fazem um mês de aula, saem pra uma festa, boate etc. e já querem se aventurar fazendo longas conversas interessantes sobre a vida com alguém. Depois saem frustrados. "Ai, engasguei muito e tive que trocar pra inglês" ou "Ah, a pessoa não teve paciência e começou a falar inglês comigo". Calma, não coloque a carroça na frente dos bois. Antes de se sentir frustrado eu sugiro o seguinte: encontre alguém para praticar aquilo que você está aprendendo agora.

Exemplo prático: digamos que a sua lição do A1 agora é sobre comida e você esteja praticando por exemplo o vocabulário para dizer o que costuma comer no café da manhã, de que tipo de alimentos você gosta e de quais você não gosta. Aí você tem como exercício no seu livro escrever um texto sobre o seu café da manhã etc. Será que dá pra chegar na festa e falar sobre a mesma coisa com um alemão? Dificilmente. "Oi, tudo bem? Meu nome é Fábio e eu gosto de comer iogurte no café da manhã. E você?" Pois é. Peinlich.
A saída é Whatsapp! (Ou outro app para comunicação Telegram, Skype etc.)
Depois de enviar o áudio, vem o comentário e a correção
O que eu faço então? Eu tenho um amigo grego. Depois de fazer meus exercícios eu gravo um aúdio lendo o meu texto sobre o meu café da manhã e mando pra ele. Ele então me corrige e/ou me parabeniza. Quando não quero gravar áudio, mando o texto escrito. Ele corrige e/ou interage comigo. Eu pergunto pra ele o que ele gosta de comer no café da manhã e ele me responde. Pronto. Consegui praticar o que estou aprendendo sem precisar sentir aquela pressão de falar uma hora inteira com alguém. E é assim que tenho praticado. Cada coisa que aprendo, envio mensagens e/ou áudios e peço pro meu amigo corrigir ou pra interagir. Além de não ter a pressão de conversar muito, a comunicação pelo Whatsapp me dá tempo para pensar na resposta.

Onde encontrar alemães para praticar? 
a) Se você mora na Alemanha (ou na Áustria, ou na Suíça alemã), nem tem desculpa. Você não precisa conhecer 10.000 pessoas. Basta uma única. Pergunte pra alguém que fala alemão se você ela pode praticar alemão com você (ao vivo ou pelo whatsapp) e/ou corrigir seu alemão. Se for ao vivo, não comece já marcando uma hora de conversa. Encontrem-se esporadicamente, fale a língua que você preferir e decida um momento pra dizer coisas em alemão. Vá praticando aos poucos. Se realmente você viver numa bolha e não conseguir encontrar ninguém disposto (o que acho difícil), vá para o Facebook e digite "Tandem + (nome da cidade onde você mora)" que você encontrará grupos de pessoas para praticar idiomas.
b) Se você não morar num país de língua alemã, hoje em dia com internet não tem mais desculpa. Existem muuuuuitos sites para praticar idiomas que conectam pessoas de várias línguas. Memrise, italki, tandemexchange são exemplos. Mas até mesmo o Facebook pode ajudar. É só colocar "Tandem Deutsch" ou "Tandem German" (sejam criativos, existem muitos grupos). Tentem também em sites como meetup.com ou couchsurfing.com encontrar grupos de pessoas que querem praticar idiomas. Em último caso, peçam para um amigo brasileiro/português que saiba muito bem alemão para conversar com você. Não precisa ser sempre um nativo.

Resumo: Está no nível A1 e ainda não consegue falar por 30 minutos? Fale por poucos minutos, de forma escrita ou em forma de áudio, mas não deixe de praticar.

Dica 3: Use sempre TUDO o que você sabe sobre a língua
Nunca desistir! Sorria e continue...
De repente você está numa conversa com um alemão, mas vocês dois estão conversando em inglês/português porque você acha que seu alemão não é tão bom? Então faça o seguinte. Use TUDO o que você souber de alemão nessa conversa.

Por exemplo, comece a conversa em alemão. Apresente-se, pergunte o nome, diga de onde é, diga que sabe falar pouco alemão (quando o alemão oferecer "inglês" de cara, diga que você quer praticar mais um pouco) e vá falando tudo o que sabe. Coisas que normalmente aprendemos no nível A1: dizer o que estuda, no que trabalha, falar há quanto tempo estuda a língua / mora naquele local, dizer do que gosta (por exemplo, você pode dizer se está gostando da Alemanha ou se acha alemão difícil) etc. Aí a conversa começa a ficar interessante e o alemão começa a perguntar coisas que você não sabe dizer em alemão. Por exemplo, ele pergunta pra você "Mas o Brasil não é perigoso?" ou "Mas você não sabe sambar?" Tudo bem, mude pra inglês e/ou português. Comece a falar a sua opinião sobre a segurança do Brasil na língua que vocês dois souberem. Ou sobre o fato de nem todo brasileiro saber sambar. Mas aí naquele momento aproveite pra perguntar: "E como se diz "segurança", "seguro", "perigo" "perigoso" em alemão? E como se diz "clichê"?. Ele vai dizer. Aí naquele momento você aproveita e diz uma frase em alemão usando as palavras que acabou de aprender. Vá fazendo essa mistura de idiomas. Pergunte por palavras novas.
Acreditem, isso funciona. Além de você manter a conversa, você demonstra aquele interesse em dizer aquilo na língua da pessoa. E pare de ficar repetindo que alemão é complicado durante a conversa o tempo todo. Isso desmotiva o alemão a falar alemão com você. Vá tentando.

Fale tudo o que souber SEMPRE. Hoje em dia eu tento sempre conversar com meu amigo em grego pelo Whatsapp. Mas como ainda me falta muito vocabulário, às vezes eu olho no dicionário. Quando estou com preguiça, boto a palavra em alemão no meio da frase em grego. Ele me responde em grego e ainda me diz a palavra que eu não sabia. É assim que funciona.

Dica 4: Aprenda o vocabulário das coisas que quer falar
Sobre o que você costuma falar quando conhece/encontra alemães? Sobre o seu fim de semana? Sobre o seu dia? Sobre o seu trabalho?
Aprenda o vocabulário necessário para falar sobre isso.
Mein Wochenende war super. Meu fim de semana foi ótimo.
Ich habe am Wochenende nichts gemacht. Eu não fiz nada no fim de semana.
Sehr anstregend, wie immer. Muito cansativo, como sempre.
Soweit gut. Und deiner? Até agora bom. E o seu?

Se alguém te perguntar por que você está estudando alemão você sabe dizer? Se alguém te perguntar qual a sua profissão, você sabe dizer? E se a sua profissão não puder ser dita em uma palavra só (como "médico", "professor") você sabe explicar o que faz?

Então, foque em aprender as palavras necessárias para falar sobre assuntos recorrentes. Saber falar sobre o seu café da manhã é ótimo, mas não se esqueça de aprender outras palavras. No meu livro A1 de grego, ao falar sobre o meu dia-a-dia tem ações como "ver TV", "fazer ioga", "ficar sentado", "relaxar em casa", "comer fora". Mas será que isso é suficiente pra falar sobre o meu dia? Se alguém me perguntar o que fiz hoje eu vou saber dizer? Eu nem faço ioga. Então é importante complementar esse vocabulário com palavras que realmente fazem sentido na minha vida pra não ficar mudo diante de uma conversa.
Prepare uma lista em português com tudo o que você faz no seu dia normal e tente (com a ajuda de um dicionário ou professor(a)) completar a lista em alemão e aprenda as palavras.

Além disso, não se esqueça de aprender expressões como: "Wie bitte?" (Como?), "Langsamer, bitte" (Mais devagar, por favor) ou "Kannst du es wiederholen, bitte?" (Você pode repetir, por favor?). É sempre importante saber reagir aos momentos em que você não entende algo.

Resumo da ópera: Não há desculpas para não se falar uma língua mesmo nos níveis iniciais. Aprenda o vocabulário. Abra a boca. Primeiramente em doses homeopáticas. Use sempre tudo o que você souber, nem que você misture as línguas no início. Mas use. É falando que as coisas vão ficando na cabeça. Use apps ou sites para comunicação que deem tempo para você pensar na resposta.

Você tem outras dicas para quem ainda está nos níveis iniciais?

21 de agosto de 2016

Por que alemães aprendem português tão rápido?

Quase todo mundo que estuda alemão já deve ter conhecido um(a) alemã(o) que fala português. Muitos brasileiros fica admirados com essa capacidade de aprender português tão bem enquanto os brasileiros engatinham no alemão depois do mesmo tempo de estudo. Com alguns anos de experiência dando aulas de português para alemães, vou tentar aqui explicar por que isso ocorre.

Mas antes de começar quero deixar claro um ponto: esse tópico não tem o objetivo de "babar ovo" de alemão e de "diminuir" os brasileiros. Com certeza existe alemão que não tem talento nenhum para aprender idiomas e brasileiros talentosíssimos que aprendem alemão rapidamente. Então, que fique claro já de antemão que não se trata de generalizações universais baseadas unicamente na nacionalidade e sim um relato de experiências tanto como aprendiz de idiomas quanto como professor. Se você se sentir ofendido por não se reconhecer no texto, lembre-se: É um RELATO! Não é a verdade universal. Algumas sugestões vêm ao fim do texto.

1) Brasileiros têm mais paciência pra falar com quem sabe pouco a língua
Os alemães têm a sorte de encontrar brasileiros de braços abertos para recebê-los quando chegam ao país. Isso faz com quem qualquer frase do tipo "Eu gostar Brasil" seja recebida com grandes sorrisos. Além disso, o brasileiro comum, aquele que você encontra nas ruas todos os dias não costuma falar outros idiomas muito bem. Então, entendendo ou não, o brasileiro passa a falar português com os alemães. Os brasileiros também não corrigem muito o português dos estrangeiros desde que a mensagem tenha sido entendida. Ou seja, as conversas não costumam ser interrompidas por causa de erros gramaticais.
Muitos brasileiros relatam que alemães não têm a mesma paciência pra quem está começando (Suzana Vieira Feelings). Então uma pronúncia errada, uma insegurança já é motivo para que o alemão comece a falar inglês. Muita gente relata que até mesmo amigos e cônjuges alemães não têm paciência de falar em alemão, o que pode ser frustrante. Fora as situações em que alemães já falam inglês apenas por você ter uma aparência de estrangeiro. Muitos brasileiros que falam pouco alemão acabam indo pro lado mais fácil: acabam formando um grupo de amigos brasileiros na Alemanha e conversam em inglês com amigos alemães.

2) É mais fácil encontrar brasileiros na Alemanha que alemães no Brasil
A Europa é um continente pequeno com muitos países e línguas. Então é muito comum ver em qualquer cidade grande europeia um grande número de pessoas falando diversas línguas, com diversas fisionomias. Então é só escolher um idioma pra aprender que provavelmente você encontrará falantes nativos na sua cidade para praticar. Em qualquer cidade grande alemã há muitíssimos brasileiros. Como os brasileiros que moram na Alemanha também querem aprender alemão acaba sendo muito fácil encontrar pessoas para falar português. E como todo brasileiro tem vários outros amigos brasileiros, basta conhecer um para conhecer vários. No Brasil, a situação é bem diferente. O país tem dimensões continentais. Mesmo que um bom número de alemães esteja no Brasil, em cidades grandes esse número é relativamente pequeno. Mesmo que estivessem agora no Brasil 1.000 alemães procurando alguém para praticar alemão, esse número num país de 200 milhões e com nossa extensão territorial torna a prática com nativos bastante rara.

3) Alemães têm menos medo de falar errado que brasileiros
Eu sei como é, pois também sou brasileiro. Abrir a boca só depois de ter certeza que a frase tá certa. Eu já fui assim. E viver eternamente dizendo que seu inglês, espanhol etc. não é tão bom assim, pois enquanto não souber o dicionário de cor, melhor não abrir a boca. Já falei sobre isso no tópico sobre fluência aqui. Alemães não se importam em dizer coisas como "Minha pai e meu mãe mora em Alemanha". É claro que o ponto número 1 (aquele sobre paciência) pode influenciar também. Mas, na verdade, alemães fazem isso com qualquer idioma. Até mesmo inglês. Falam mesmo. O importante é se fazer entender.
Como professor de alemão me lembro a dificuldade que era de fazer alguém falar com um nativo. Medo de dizer algo e não ser entendido. Se for entendido, era o medo de não entender a resposta. Mesmo de falhar. E a cereja do bolo: muitos brasileiros têm medo de serem ZOADOS (sim, isso mesmo) por outros que não falam o idioma. Sim, como falar idiomas no Brasil ainda não é algo muito comum, tem gente que se sente intimidado por amigos que vão fazer piadinhas do tipo "Tá me xingando?".

4) Alemães têm mais experiência com línguas estrangeiras
Como disse antes, a Europa é um continente pequeno. Algumas horinhas de carro e você já está em outro país, outro idioma, outra cultura. Alemães costumam aprender pelo menos duas línguas estrangeiras na escola (inglês é praticamente obrigatório). Muitos estudantes acabam fazendo viagens aos países onde as línguas são faladas (francês, espanhol e inglês são as mais estudadas). Vi provas de inglês dos alunos que estão fazendo o Abitur (é como o Ensino Médio brasileiro) e eles já fazem redações em inglês. Estudei em escola particular e na aula de inglês fazíamos apenas gramática. A língua não tinha nenhum uso prático além de aprender regras que nunca usaríamos fora da escola (adjetivo antes de substantivo, por favor). A maioria dos alemães que fala português acaba já trazendo uma bagagem do que é realmente aprender um idioma, pois eles já aprenderam a FALAR pelo menos um.
Mas, Fábio, a maioria dos brasileiros que aprende alemão também já fala inglês, não é? (você pode se perguntar isso). É verdade. Alemão quase nunca é o primeiro idioma estudado pelos brasileiros. Mas o nosso jeito de estudar línguas (aprender inúmeras regras gramaticais antes de abrir a boca) faz com que muita gente desista antes mesmo de tentar. Além disso, tem muita gente que aprendeu inglês fazendo intercâmbio nos EUA que acha que vai chegar na Alemanha e aprender alemão apenas por estar no país, sem muito esforço. Só que a realidade aqui é outra (ponto número 1).

5) Muuuuuuuuuuitos alemães que aprendem português já falam (ou estudaram) espanhol
Espanhol é uma das línguas mais estudadas nas escolas alemãs, depois com inglês e francês. Pelo menos 50% (às vezes 80%) das minhas turmas de português já sabem espanhol ao começar com o português. Querendo ou não, saber espanhol acelera imensamente a rapidez com que se aprende português. A gramática é bastante parecida, muito do vocabulário é idêntico e pra melhorar tudo isso: Alemães podem falar espanhol portunhol no Brasil e serem entendidos. Ou seja, ponto pra eles.
Infelizmente, das línguas nacionais europeias, a mais próxima do alemão seria o neerlandês (holandês), mas não é muita gente que estuda holandês no Brasil. Brasileiro está em desvantagem nessa hora. Mas não fiquemos tristes, brasucas. Estamos em vantagem na hora de aprender diversos idiomas latinos: espanhol, italiano, francês etc. são mamão com açúcar pra quem fala português (em comparação com idiomas de outras famílias).

6) A gramática do português no nível inicial é mais fácil 
Todas as línguas têm suas dificuldades. Acreditem, os alemães também sofrem para aprender muita coisa do português. Diferenciar vários tempos do passado (Perfeito, Imperfeito, Mais-Que-Perfeito), aprender a usar o subjuntivo e diversas conjugações irregulares (vou, vai, fui, foi, ia, vá, vão, fosse, foram etc.) A pronúncia do português também não é nada fácil (sons nasais, letras que se pronunciam diferente do que estão acostumados etc.). E pra melhorar tudo isso, ainda têm que aprender a língua culta e a linguagem informal. Então não duvidem da complexidade que é aprender português.
Mesmo assim, pra quem está dando os primeiros passos no idioma, o estudante de alemão recebe muito mais desafios que um estudante de português. Um estudante do primeiro semestre de alemão já tem que memorizar três gêneros sem muitas regras, diversas formas de plural, declinações inexistentes no português, um ordem de palavras diferentes. E isso só pra começar.Isso tudo pode dar um certo desânimo.
Mas antes de botar a culpa no próprio idioma, é importante lembrar do ponto número 5 (alemães já aprenderam gramática do espanhol, o que ajuda a entender a gramática do português de forma bem mais rápida) e do ponto número 3 (brasileiros poderiam abrir a boca mesmo errando no início). Então nada de desespero. Não desistam antes de começar a usar a língua para conversar. Essa é a parte mais legal de se saber um idioma, é usá-lo para conversar.

7) Estudantes alemães adultos assumem a responsabilidade sobre o seu aprendizado
Minha experiência como professor de português na Alemanha é que a maioria deles sabe porque está na aula. Isso os torna muito mais focados nos estudos. Alguns chegam já dizendo "Eu vou fazer um intercâmbio no Brasil ano que vem e preciso aprender o máximo possível" ou "Eu tenho uma namorada brasileira e quero poder conversar com a família dela". Pronto! Isso já é suficiente para eles focarem em estudar incansavelmente vocabulário, gramática etc. Isso não quer dizer que todo estudante alemão passa o dia inteiro estudando português. Mas a maioria dos meus alunos estuda, faz exercícios etc. Eu tenho pouquíssimos problemas de falta de motivação nas minhas turmas. No Brasil, se professor de língua não cantar, dançar, fizer coreografias, mostrar filmes, contar piadas etc. é difícil obter a atenção do aluno. É a famosa aula-show. E mesmo com todo esse esforço boa parte ainda espera aprender a língua apenas dentro do curso. Ainda reina no Brasil aquela ideia de "estudar pra passar na prova" e não pra usar a língua. Enquanto o alemão está lá todo focado em aprender pra usar o idioma numa viagem ao Brasil, o brasileiro está tentando decorar o que ele precisa saber pra passar na prova. Isso faz uma grande diferença. É uma diferença cultural. O estudante alemão adulto assume a responsabilidade sobre o seu aprendizado enquanto o brasileiro ainda espera que o professor o faça aprender aquele idioma. É claro que há casos e casos. Tenho inúmeros ex-alunos maravilhosos no Brasil também (se algum deles estiver lendo isso, um abraço!). Mas no Brasil ainda há uma cultura muito forte de culpar o professor pelo fracasso de alunos adultos.

Vou dar aqui algumas sugestões:

1) A melhor dica é já vir pra Alemanha já tendo noções de alemão (eu diria nível A2 no mínimo). Mas caso você tenha vindo sem saber (quase) nada, pule pra próxima dica.

2) Se você falar alemão e a pessoa responder em inglês, peça-lhe que responda em alemão e diga que você está tentando aprender o idioma. Peça também um pouco de paciência (Geduld!) e compreensão (Verständnis!). Quase sempre dá certo. Se não der, reflita um pouco sobre que tipo de "amigo" é esse que não quer te ajudar a melhorar no idioma. :-) Mesmo num restaurante, pedir pro garçom falar alemão sempre dá certo. (A não ser que o restaurante esteja incrivelmente cheio e o garçom não tenha um segundo a perder).

3) Se o seu nível de alemão ainda for baixo ou você se sentir insegur@, procure praticar alemão primeiro em situações mais focadas no aprendizado (que é o caso do Tandem!). Tandem é o termo utilizado para uma bicicleta para duas pessoas pedalam. Mas também é utilizado para "intercâmbio linguístico", onde duas pessoas se encontram para praticar idiomas (por exemplo: um alemão que quer praticar português brasileiro se encontra com um brasileiro que quer praticar alemão).
Há muitas maneiras de se conseguir
Lembre-se: Tandem não é aula de idioma. As pessoas não precisam saber explicar gramática nem dar aula. O Tandem é uma forma de poder praticar a língua que você está aprendendo. O/A alemã(o) que procura os encontros de Tandem vai estar pronto pra ouvir o seu alemão, mesmo com erros, já que ele/ela mesmo(a) vai querer praticar português depois. Então é uma chance de você abrir a boca sem medo de errar e ainda contar com uma ajuda para melhorar.
Há várias plataformas de Tandem. Se você morar na Alemanha procure o centro de línguas da sua universidade. Provavelmente eles vão ter cadastro de pessoas procurando tandem. Caso você more no Brasil, poderá tentar sites como Tandem Partners ou o Tandem Exchange. Mas eu também sugiro tentar encontrar pessoas em sites de aprendizado de línguas como o italki ou Duolingo. Lá também você pode encontrar pessoas dispostas a praticar línguas com você.

4) Mantenha o foco de que você está estudando alemão pra SE COMUNICAR! Não desista antes de atingir esse objetivo. Não estude apenas para dominar regras. O seu objetivo não é ser um expert em acusativo e dativo. O seu objetivo é usar as regras como ferramentas para a comunicação. Concentre-se naquilo que você quer aprender a dizer. Não adianta saber palavras difíceis do alemão que ninguém usa e não saber nem dizer qual a sua profissão. Comece aprendendo a falar sobre você, sobre sua família, sobre o seu dia etc. e vá progredindo até conseguir falar sobre diversos assuntos.

5) Abra a boca, mesmo que contenha erros. Não tenha medo de dizer "Minha pai" nem "Eu gostar". Tente encontrar um meio de ser entendido.
No entanto, aprenda com as correções. Há determinadas pronúncias que causam confusão. Então esforce-se para pronunciar as coisas de forma clara. Não é só o seu interlocutor que tem que se esforçar para entender o seu alemão. Você também tem que fazer a sua parte e se esforçar.

6) Pare de culpar a gramática da língua ou os alemães pelo seu fracasso no aprendizado da língua. Não é a língua alemã que é difícil demais. Todas as línguas têm suas dificuldades. Algumas pessoas precisam de mais tempo outras de menos tempo. Mas todas precisam se esforçar.

7) E por fim... não ligue para o tempo. Umas pessoas aprendem alemão em meses, outras em 1 ano, outras precisam de vários anos. O mais importante é a constância. Cada pessoa tem o seu tempo. 

23 de junho de 2015

italki Challenge (parte 2) - Aulas pelo Skype

Oi, pessoal, já se passou mais uma semana e estou aqui para relatar como foram minhas experiência fazendo aula pelo Skype. (Atenção: No momento eu não estou oferecendo aulas pelo Skype por falta de tempo, mas é fácil encontrar professores e outros nativos para conversar no italki).

Para quem não leu a parte 1, eu estou participando do desafio do site italki de fazer 12 aulas de qualquer língua pelo Skype durante este mês de junho. Comecei as aulas só no dia 13 de junho, então tinha pouco tempo para completar o desafio. A minha primeira estratégia foi marcar todas as aulas de uma vez só. Em vez de marcar só uma aula para depois decidir o que fazer, preferi marcar todas as 12 aulas. Como trabalho em duas universidades atualmente, muitas aulas foram marcadas pro fim de semana ou de manhã cedo antes de ir pro trabalho. Tem dado certo. O plano inicial era fazer 5 aulas de francês e 7 aulas de grego moderno. O objetivo final era relatar os prós e contras de se fazer aula pelo Skype tanto de nível mais alto quanto de nível iniciante.

Vamos aos relatos. Vou começar pelo francês.

Francês: Das 5 aulas marcadas eu já fiz 4. Meu professor é francês e mora na França. Ele sabe falar um pouco de português também. Mas isso foi coincidência e a aula é toda em francês. Eu marquei cinco aulas de conversação com o objetivo de melhorar a minha fluência. Na primeira aula nós praticamente só conversamos (o que foi bom, pois é nesse momento que o professor consegue perceber as necessidades do aluno). Eu também lhe disse que tipo de temas me interessavam e que tipo de coisas eu queria aprender. Baseado nisso, na segunda aula o professor me mandou um link de um vídeo do Youtube (que eu já conhecia, por sinal) com uma linguagem bem coloquial e sem legendas. Ele preparou várias perguntas sobre o vídeo e usamos o tempo da aula para debater sobre o vídeo. Ponto positivo: o professor usa o Google Drive (antigo Google Docs) para o material da aula. Ou seja, durante a aula, tanto ele quanto eu podemos escrever no documento e fazer anotações. Isso é muito bom, pois ao fim da aula, tudo o que foi debatido na aula já está pronto para impressão.
Nas aulas seguintes nós conversamos novamente sobre outro vídeo, dessa vez sobre temas mais sério, frases polêmicas de um escritor francês famoso. O foco da aula não foi só entender o que ele disse, mas também na pronúncia coloquial. Depois de debatermos sobre o vídeo, o professor colocou o texto do vídeo e debateu a pronúncia na fala coloquial de vários termos. Isso eu gostei bastante.

Como saber que estou atingindo os meus objetivos?
Bem, o meu objetivo é muito amplo e difícil de ser medido "melhorar a fluência". Para medir o êxito eu teria que ter feito objetivos mais concretos. Por exemplo: a partir do nível B2, seria interessante falar sobre coisas abstratas. Poderíamos discutir sobre temas como "amor, solidão, amizade" ou temas políticos como "imigração, democracia, direitos humanos" etc. Um objetivo concreto seria: ser capaz de discutir sobre o  tema "imigração" em francês. Assim poderíamos passar as aulas aprendendo palavras sobre o tema e melhorando minha capacidade de entendê-lo. Eu não fiz isso. (Falha minha!) Então pra mim, as aulas têm sido proveitosas por eu ter a chance de praticar o idioma, receber correções e aprender coisas novas.

Dicas para quem tem nível avançado: 
- tentar dizer tudo na língua que está aprendendo, não em inglês ou na língua materna
- deixar que o professor traga temas que você não conhece para aprender mais sobre o país onde a língua é falada. Por exemplo, o professor trouxe um vídeo de um autor francês famoso que eu não conhecia.
- traçar vários objetivos concretos.

Grego Moderno: Como disse antes, o objetivo era aprender uma língua do zero. Das sete aulas eu já fiz 4, com dois professores diferentes (eu tenho dois professores para poder completar o desafio). O meu objetivo é saber ter uma conversa básica (nível A1) sobre mim e fazer perguntas sobre a vida do meu interlocutor em grego. A gramática não era o foco.

Pois bem. Por incrível que pareça, eu já consegui atingir boa parte do objetivo em 4 aulas. Já consigo fazer e responder a várias perguntas básicas: Saudações, nome, origem, profissão e até mesmo coisas como "Como foi o seu dia? O seu fim de semana?" etc. Como consegui? Estudando e fazendo as tarefas, mas principalmente dizendo para os professores o que eu queria aprender a falar. Na primeira aula, a professora já foi fazendo todas as perguntas que uma pessoal normal faria. Por exemplo, ela perguntou qual era a minha profissão. Quando disse que era professor de português brasileiro, ela fez perguntas como "É diferente do português europeu?" e "Tem muitos alunos?". Essas perguntas jamais estariam num livro de A1, mas como a aula é particular eu posso pedir pro professor me ensinar a dizer exatamente isso. Eu também disse à professora que queria aprender a falar grego informalmente aqui na Alemanha (caso encontre um(a) grego(a)), não somente como turista na Grécia. A maioria dos livros de língua acaba ensinando a língua só para situações turísticas.

Vantagem de se aprender pelo Skype: Quando você precisa de uma palavra, dá tempo de dar uma olhada rápida no dicionário on-line.

Dica para quem é iniciante:
- Faça uma lista básica de perguntas e respostas sobre a sua vida. Cada pessoa vai ter uma história de vida diferente. Peça para o seu professor te ajudar a falar sobre a sua história de vida. Ex.: Oi, como é o seu nome? Tudo bem? Eu trabalho como... na empresa ... Moro na Alemanha há ... anos. Estou estudando ... porque... Sou de Fortaleza. Fortaleza fica no Nordeste do Brasil. Lá tem muitas praias etc. )

- Imagine perguntas que a pessoas fariam na vida real. Não adianta dizer apenas "Sou de Fortaleza". Tem que saber dizer onde Fortaleza fica, pois a maioria dos alemães não faz ideia de onde é. Não adianta só dizer que trabalha como médico. Talvez seja interessante aprender também a dizer em qual especialidade, se trabalha num consultório ou num hospital etc.

- Memorize frases úteis: Desculpe, não entendi. Mais uma vez. Pode repetir? Mais devagar. Como se escreve? Como se diz ... ? Diga em (grego), por favor, pois quero aprender o idioma. Acredite. Você vai usá-las MUUUUUUITO!

- Memorize frases mesmo sem entender completamente a gramática. Eu não sei ainda conjugar verbos no passado em grego. Mas a pergunta "Como foi o seu fim de semana / o seu dia?" é importante já no começo. Existem alguns livros de alemão que já trazem o Präteritum do verbo sein bem mais cedo do que se espera. E isso é muito bom. Não é muito difícil aprender a dizer a forma war: "Mein Wochenende war...". Você não precisa aprender todos os verbos de uma vez. No alemão os alunos aprendem "Wie geht es Ihnen?" bem no começo, antes mesmo de saber o que é dativo. O importante no começo não é saber declinar tudo no dativo, mas estar aberto a memorizar expressões como um todo.

- No nível inicial, pode falar outra língua também. Meus professores de grego falam inglês. É a nossa língua em comum. Quando eu quero fazer perguntas eu uso tudo o que sei em grego completando com palavras em inglês. Depois disso eles tentam me ensinar as palavras que faltaram para eu perguntar em grego da próxima vez. Não tenha medo de usar a sua língua (ou uma língua em comum) no começo. Mas tente usar o máximo que puder da língua em questão. Não concordo quando dizem que apenas aulas que sejam 100% na língua-alvo funcionam. Especialmente no nível inicial, quando o aprendiz ainda está fazendo as conexões para entender como a língua funciona, comparar estruturas pode ser bastante benéfico. (Há muitos métodos de ensino de línguas que se baseiam nessa ideia). Então não precisa ficar voando numa aula toda em alemão. Você pode fazer aula com um professor que fale também outro idioma que você conheça.

Bem, ainda tenho mais 3 aulas de grego até o fim do mês. Agora é aguardar a parte 3.
E você? Já fez aulas pelo Skype de algum idioma? E como foi?

Para se inscrever no italki, clique aqui.

15 de dezembro de 2014

Aprender alemão com professores não-nativos: prós e contras

Vejo muita gente falando "aprenda alemão com um nativo". Como sou professor de alemão, alemão não é minha língua nativa e tenho um blog de língua alemã, resolvi ser sincero e confrontar aqui as vantagens de se aprender um idioma com um falante nativo e com um alguém não-nativo.

Lembrem-se: eu não acredito que línguas se aprendam em cursos ou em aulas particulares. Línguas se aprendem no momento em que você sai do curso ou da aula particular para aplicar o que viu na aula. MAAAAS a aula é uma ferramenta no aprendizado. A aula pode ser um lugar para tirar dúvidas, (talvez a única chance ao vivo para) praticar a língua com outras pessoas, para se forçar a estudar (muita gente só estuda quando tem aquele compromisso com um curso/professor), para conhecer pessoas (tenho alunos que se tornaram um casal durante o curso de alemão), para aprender coisas que não estão nos livros (vale especialmente para os autodidatas) etc. Ou seja, as aulas são uma ferramenta para o aprendizado, mas o aprendizado EM SI, na minha opinião, ocorre fora de sala de aula. Dito isto, vamos para os comentários:

1) Nem todo falante nativo é professor(a)
Isso parece meio óbvio, mas não custa nada reforçar. Saber falar um idioma não quer dizer que a pessoa saiba dar aula de línguas. Ou será que todo falante de português é professor de português? Isso não impede que falantes sem experiência didática se ofereçam pra dar aulas (ou pra ajudar) as pessoas a aprenderem seu idioma nativo. Isso é normal. Quando a pessoa está se oferecendo para fazer um intercâmbio linguístico (conhecido aqui como Tandem), ou seja, ela te ajuda com alemão enquanto você a ajuda com português, tudo bem. Ninguém precisa ser professor pra oferecer ajuda, além disso, é geralmente de forma gratuita e ambos saem ganhando algo. Há também muito alemão que nunca deu aula na vida e começa a dar aula quando vai pro exterior. Bem, sobre isso, eu vou falar mais no ponto número 4. O importante é se lembrar de que, às vezes, um professor não-nativo formado conhece mais profundamente as regras da língua alemã do que um falante nativo que nunca estudou a fundo a sua língua. Então antes de menosprezar aquele que não tem alemão como língua nativa, analise o conjunto :-)

2) Você gosta do(a) professor(a)?
Em toda profissão há bons e maus profissionais. Isso vale também para os professores. Há professores que cativam seus alunos pelo jeito que ensinam e há outros que conseguem transformar qualquer assunto em tortura. Não adianta fazer aula com um falante nativo chato, com cara emburrada, com uma aula parada enquanto você adora a aula com seu/sua professor@ brasileir@ que sempre dá aquele show. O importante é GOSTAR d@ seu/sua professor@. Cada país tem suas tradições de aprendizagem e ensino. Na Alemanha o método de ensino é diferente. Os aprendizes alemães são bem mais independentes, mais autônomos. Com isso, aquele esforço enorme do professor de prender a atenção dos alunos nas aulas de línguas é um pouco desnecessário, pois os alemães que fazem cursos de língua na Alemanha quase sempre vão fazer os exercícios mesmo que a aula seja um porre. Então você pode dar o azar de fazer um curso de alemão na Alemanha que com alguém dá aula nesse estilo (bem no estilo Se vira!) e perder a motivação por achar a aula meio parada (diferenças culturais). Com isso, não estou dizendo que todo professor alemão faz uma aula parada. Com isso estou dizendo que se você gostar d@ seu/sua professor@, seja ele/ela nativ@ ou não, você vai aprender bem mais durante a aula do que com um@ professor@ de que você não gosta muito. Quero dizer também que o estilo de dar aula na Alemanha é bem diferente do do Brasil e isso talvez requeira uma certa adaptação. (Falo por experiência de quem já fez cursos de vários idiomas com professores alemães. O estilo de ensino é totalmente diferente.)

3) Falantes não-nativos têm uma pronúncia necessariamente ruim?
Um dos principais medos dos alunos é pegar uma pronúncia ruim de um@ professor@ que fala "com sotaque". Esse é um medo justificável. Infelizmente, assim como nem todo aprendiz é perfeccionista na pronúncia, nem tod@ professor@ não-nativ@ consegue soar como um falante nativo. Os alunos notam isso e criticam. E o pior: nos níveis iniciais é crucial ouvir e repetir os sons corretamente. Nesse ponto, os falantes nativos estão em vantagem.

Mas há uma exceção.
O português não tem ainda um dicionário oficial de pronúncia, ou seja, tanto o pernambucano que fala "bom Dia" quanto o carioca que fala "bom DJia" estão falando português corretamente. O alemão, diferentemente do português, tem uma pronúncia padrão, aceita como "correta" e ensinada nos livros didáticos. Essa pronúncia se assemelha bastante ao modo como se fala no Norte da Alemanha (já escrevi sobre Hochdeutsch aqui). Ou seja, se seu/sua professor@ vier do Sul da Alemanha, da Áustria, da Suíça é possível que a pronúncia dele/dela seja diferente daquela que você vai ouvir nos livros. Isso pode causar muita confusão. (E antes que digam: mas ele/ela é nativ@... Sim, mas os livros de alemão ensinam apenas a pronúncia padrão e é esta que se ensina nos cursos. Aqui no blog, todos os tópicos sobre pronúncia ensinam a pronúncia padrão, não-dialetal).
Além disso, há vários não-nativos que falam alemão sem sotaque. Quem disse que isso não é possível? Na faculdade fiz uma disciplina de Fonologia do Alemão com um professor não-nativo e foi excelente. Em todos estes anos na Alemanha já tive a felicidade de conhecer vários estrangeiros falando um alemão impecável. Além disso, a aula (como disse antes) deve ser apenas UMA ferramenta de aprendizado, mas não a única. O contato com os falantes nativos fora da aula pode tirar as dúvidas de pronúncia.

4) Seu/Sua professor@ tem experiência?
Esses dias li algo interessante: Quando um estudante se forma em Engenharia, ele é apenas um formado em Engenharia, ou seja, alguém que tem a formação necessária para exercer a profissão, mas para ocupar uma vaga de emprego, ele provavelmente necessitará ainda um período de treinamento naquilo que fará na empresa. Isso é normal. Professores de idiomas também vão aprimorando sua didática com o tempo. Eu comecei a dar aula de inglês com 16 anos. Naquela época eu me espelhava nos meus professores. Meu jeito de dar aula hoje está a anos-luz dessa época. Já são anos de experiência dando aula de alemão e português. Com o tempo, vamos acumulando materiais, as dúvidas dos alunos vão se repetindo e o professor ganha mais facilidade em ensinar. Na hora de escolher entre um nativo ou um não-nativo, verifique se você está trocando um não-nativo com 10 anos de experiência por um nativo sem experiência. E olha que aqui não estou falando de formação em Letras. Apesar de a minha formação em Letras ter sido bastante enriquecedora e eu perceber que muitos professores de línguas formados em outras áreas poderiam ainda ser melhores se tivessem uma base de teorias da Linguística e da Didática, a verdade (nua e crua) é que mesmo pessoas sem formação em Letras podem ser ótimos professores de língua. A mão na massa dá a experiência necessária. Uma formação teórica dá mais segurança para exercer a profissão.

P.S. Eu sou a favor da valorização do profissional formado em Letras. Mas afirmar que só formados em Letras são bons professores de idiomas vai contra a realidade que observo.

5) Qual é o seu nível no idioma?
Quanto mais alto o nível, na minha opinião, melhor @ professor@ nativ@. É que um falante nativo consegue expressar melhor as nuances da língua. Um nativo consegue usar mais expressões idiomáticas, conhece palavras muito específicas para dizer certas coisas, conhece uma série de ditados populares etc. Um estudante que quer chegar ao nível C2 de um idioma está interessado em se expressar de forma bem específica. Nos níveis iniciais, um professor que consiga (pelo menos) explicar as coisas em língua materna não é ruim. Não precisa dar a aula toda em português, mas dar uma ajudinha de vez em quando ou explicar a gramática na sua língua materna pode ser muito útil sim. Dito isto vem a pergunta: você quer dizer que um professor estrangeiro jamais será capaz de dar um curso do nível C1/C2? De forma alguma. Como falei antes, formação e experiência podem ser bastante determinantes. Bons professores não chegam para as aulas despreparados. Mesmo um professor não-nativo pode preparar uma aula maravilhosa de nível C1/C2. Se ele/ela for experiente, o aluno aprenderá tanto quanto com um nativo.
Dica: o Instituto Goethe oferece certificados de proficiência do nível C2. Se seu/sua professor@ não-nativ@ tiver um certificado do nível C2 e tiver experiência, não precisa ter medo, ele/ela será capaz de te ajudar a chegar ao nível mais alto de proficiência do idioma.

6) Existe alguma vantagem do professor não-nativo?
Sim, existe.
O professor que não tem alemão como língua nativa também teve que aprender alemão. Ou seja, ela passou por todos os processos de aprendizagem que um aluno vai passar. Ele teve que estudar as regras, memorizar vocabulário, manter contato com nativos etc. Ou seja, ele poderá dizer com bastante propriedade o que você deve fazer para aprender a língua. Ele saberá demonstrar mais empatia por suas dificuldades. É claro que sempre fica uma pulga atrás da orelha? Mas e se ele/ela também tiver internalizado erros durante esse aprendizado? E se ele/ela me ensinar algo errado? Se ele trocar um artigo durante a aula e eu aprender o artigo errado? É verdade... esse perigo é real, infelizmente.

Um falante nativo usa a língua de forma mais intuitiva, ou seja, as regras já estão internalizadas. Raramente um falante nativo de alemão vai errar um artigo ou cometer um erro grosseiro de declinação. Mas como falei, o que conta mais é a experiência no ensino. Alemães que já dão aula de alemão há muito tempo no Brasil já aprenderam quais as dificuldades comuns dos alunos brasileiros. Através da sua experiência e por ter alemão como língua nativa, ele está em maior vantagem em relação aos professores brasileiros que aprenderam alemão quando adultos. Além disso, o fato de ele/ela saber falar uma língua como nativo, não significa que esse conhecimento vai passar pra cabeça do aluno de forma automática. Para isso um@ professor@ precisa saber motivar, saber levar o aluno a aprender de forma autônoma, saber ouvir e tirar dúvidas etc. E essas características podem ser bem exercidas por qualquer bom/boa professor@.


Qual a garantia de que eu estou aprendendo alemão correto nesse blog?
Quando decidi fazer Letras no Brasil, já era um apaixonado por idiomas. Já dava aula de inglês (língua que tinha aprendido de forma autodidata e praticando com estrangeiros) em escolas da cidade, mas queria aprender outro idioma. Decidi então cursar uma Licenciatura em Letras com habilitação em português e alemão, um curso que (teoricamente) forma professores de português, alemão e suas respectivas literaturas. O curso não transforma uma pessoa em falante nativo de um idioma estrangeiro, mas te dá todas as ferramentas necessárias para você ser capaz de ensinar esse idioma para alguém depois de formado. A carga horária é bastante alta. Na UFC (onde estudei) o curso dura 5 anos. Em 5 anos, você faz oito cursos de 64 horas-aula cada de língua e cultura alemã bem como 4 cursos de literatura em língua alemã, além de disciplinas de fonologia, morfologia, sintaxe, produção de texto em língua alemã. Sem falar das disciplinas teóricas de ensino de língua alemã e do estágio supervisionado. Durante a faculdade ainda tive a sorte de conseguir uma bolsa de estudos para passar um ano na Universidade de Colônia cursando disciplinas e fazendo curso de alemão, tudo incluído no programa de intercâmbio universitário. Foi durante o intercâmbio que passei no DSH (é uma das provas de idioma aceitas para ingressar na faculdade na Alemanha). Depois disso, resolvi ainda fazer um mestrado na Alemanha em didática de língua estrangeira (mais especificamente no ensino de Alemão como Língua Estrangeira). Já moro na Alemanha há 7 anos e tenho contato com a a língua alemã desde 1999. Como toda esta formação, será que não estaria pronto pra dar aula de alemão? Pra muita gente não. Não tem problema. Se preferir ter aula com um nativo, tudo bem. Mas acho que me sinto preparado para ensinar alemão, sim. E muito bem, obrigado.

Eu tive excelentes professores de alemão do Brasil. Não deixaram em nada a desejar.

Moral da história:Aprender a língua de um nativo pode ser muito vantajoso, sim. Mas este nativo deve ter experiência no ensino (noções de didática, conhecimentos do métodos de ensino de alemão para estrangeiros), domínio da língua materna e ser uma pessoa agradável (ou seja, a aula desta pessoa te dá mais motivação para estudar). Se for um nativo com experiência de ensino, com certeza ele estará com mais vantagem do que os não-nativos. Caso seja um nativo sem experiência de ensino, prefira seus serviços para conversas mais informais (como num Tandem), mas não pague um valor alto pra alguém sem experiência apenas por ser nativo.
Um professor não-nativo tem que se esforçar duplamente para convencer o seu alunado de que é capaz. Isto se dá através da sua formação acadêmica, sua experência com o idioma, através de certificados de proficiência, de uma pronúncia clara etc. Caso você perceba que seu professor "se garante" no alemão, não tenha medo. O mais importante é que o aluno goste de ter aulas com aquele professor e faça progressos.

E você? Teve bons professores de alemão brasileiros/portugueses?

14 de novembro de 2014

Como melhorar o alemão através de leitura

1) Verifique o nível do texto
Antes de entrar em depressão por não entender nada e achar que o problema é você, pode ser que o texto esteja muito difícil para o seu nível de alemão. Como se sabe isso?
Estudiosos dizem que um texto está no nível correto de dificuldade se ele estiver no nível x + 1. O que seria esse x + 1?
Bem "x = tudo o que você entende ou sabe num idioma" e esse "1" quer dizer que ele deve ser um pouquinho mais difícil do que isso.
Tem gente que só fica feliz ao entender um texto completamente, palavra por palavra, sem usar o dicionário. Mas pra falar a verdade, se você entender realmente TUDO de um texto, o texto é FÁCIL demais para você. Se você quer aprender através da leitura, o texto tem que ter algumas palavras novas, tem que ter alguma coisa que você só conseguiu entender através do contexto, tem que ter alguma coisa a aprender. Ou seja, não adianta estar no B1, pegar textos do nível A1 e sair por aí gritando "Uhuuuuuu, entendi tudo". Então lembre-se: um texto está no seu nível quando ele for x + 1.. ou seja, você tem que entender quase tudo de forma que você não precise parar muito pra olhar no dicionário, mas também pode ter algumas palavras desconhecidas.

Vejamos o exemplo abaixo:
Eu postei esse texto no Facebook recentemente. Vários leitores disseram que entenderam quase tudo, faltaram só algumas palavras (provavelmente "bestaunen", "flauschig" e "schnappen"). Bem, se você entendeu todo o resto, esse texto está no seu nível e as palavars que faltam você pode procurar no dicionário depois. Se você entendeu só metade do texto, ele ainda está acima do seu nível. Se você entendeu TUDO, o texto está fácil demais e você precisaria de outros textos para aprimorar o seu alemão.

A pergunta que não quer calar: Como achar textos só do seu nível?
1) Nos livros didáticos: se você souber qual o seu nível (A1, A2, B1 etc.) tenter ler os textos do próprio livro. Caso você já tenha lido todos os textos do seu livro, procure outros livros didáticos (numa biblioteca, por exemplo) apenas para ler outros textos. Se os textos do seu livro didático são muito difíceis para você só há duas explicações possíveis:
a) Os autores do texto realmente não seguiram a lógica do x+1 e colocaram textos acima do seu nível.
b) Você está frequentando um curso acima do seu nível verdadeiro. Talvez seja necessário voltar um nível para ficar no nível certo de leitura. Ou então você está no nível certo do curso, mas não tem se esforçado para aprender palavras novas e se confia sempre no dicionário.
2) Livros paradidáticos: Há livros com leituras fáceis. Tente comprar algum. Já dei dicas de leituras facilitadas aqui.
3) Notícias facilitadas: Para ler notícias com linguagem facilitada, indico o site http://www.nachrichtenleicht.de/. Procure notícias sobre as quais você já tenha uma ideia antes de ler, assim você poderá entender mais pelo contexto. Mesmo assim, se for muito difícil (um texto é difícil demais se você precisar consultar demais o dicionário), continue estudando alemão e espere aumentar mais o seu vocabulário. Procure textos mais fáceis.

2) Compre livros bilíngues
Essa dica vale especialmente para alunos mais avançados no idioma (mas também para quem já terminou o B1, pelo menos). Há algumas editoras que lançam livros bilíngues, inclusive em português-alemão. Os livros bilíngues (por exemplo: português/alemão) trazem o texto em alemão numa página e em português na outra. Assim você pode ler nas duas línguas simultaneamente.
Se seu interesse for aprender/melhorar alemão, sugiro que leia primeiro o texto em alemão e só depois confira a tradução em português para ver se entendeu tudo.
Caso não encontre um livro bilíngue, você poderá também comprar dois livros, um em alemão e um em português e lê-los paralelamente.


Mas atenção:
- As traduções de obras literárias nunca são feitas literalmente. Ou seja, não espere encontrar cada palavra tal e qual na tradução. O tradutor tem a liberdade de mudar um pouco a ordem dos termos para que faça mais sentido na outra língua. Mesmo assim, as traduções de textos literários costumam ser bem próximas ao texto original.

Quer dicas de livros bilíngues alemão-português? Aqui vão algumas: esse, esse, esse, esse ou esse, por exemplo.

3) Não pare a leitura a cada palavra desconhecida
Se você for desses que se desespera a cada palavra desconhecida, tenho uma coisa a pedir: PARE! Pare com isso já. Se até na nossa língua materna existem palavras que desconhecemos, por que você acha que tem que entender TODAS as palavras? A leitura detalhada, ou seja, aquela que requer o entendimento de 100% do texto, só é apropriada em situações nas quais for extremamente importante entender tudo: por exemplo, se o texto que você estiver lendo for para a prova da faculdade ou se você estiver lendo uma bula de remédio buscando uma informação sobre a sua posologia.
Na maioria dos outros casos, dá sempre para ignorar certas palavras sem perder o sentido do texto.

Por exemplo:
Das grüne Haus, das wir gestern gesehen haben, ist außerordentlich schön. 

Se você parou na palavra außerordentlich, mas entendeu todo o resto da frase, você, de fato, ENTENDEU a frase. Em vez de parar a leitura, eu sugiro que você marque essa palavra (sublinhando, por exemplo) e continue lendo o texto. Deixe para verificar essas palavras só depois de terminar a leitura. Assim, a leitura continua sendo agradável e você aprenderá novas palavras depois, caso se interesse em aprendê-las.

4) Leia as frases/os parágrafos sempre até o fim
Para entender um texto, é necessário sempre analisar o conjunto da obra, não só cada palavra. Mais uma vez: não se desespere ao não entender uma palavra. Continue lendo o texto para ver se você conseguirá mais tarde inferir o significado através do contexto.

Outra coisa importante: alemão é uma língua que deixa partes importantes da oração (como verbos e prefixos verbais) para o fim da oração. Parar uma frase no meio pode ser fatal, pois a informação mais importante pode estar justamente no fim.

Das kommt nicht auf seine Entscheidung...
Se você ficar traduzindo o começo da frase acima mentalmente como "Isso não vem ao seu..." e parar a frase no momento em que aparecer uma palavra desconhecida (Entscheidung, por exemplo) e esquecer de ler o resto da frase (Das kommt nicht auf seine Entscheidung an.), a frase poderá não fazer sentido... no caso, ankommen significa "depender".

Mesmo em frases curtas, o entendimento da frase pode ser prejudicado, caso você não identifique os prefixos verbais:

Er hat vor zu schlafen. Muita gente vai ficar confusa, tentando entender essa frase. Uns vão achar que quer dizer "Ele tem que dormir" outros vão pensar que é alguma coisa "antes de dormir", mas na verdade se trata do verbo separável vorhaben, que quer dizer "pretender" - Ele pretende dormir. (Antes que me perguntem: sim, é normal terminar a frase já antes do infinitivo com zu)

5) Estude o Präteritum
Em textos literários, jornalísticos e científicos, é normal o uso do Präteritum. Mesmo que seja usado pouco na linguagem falada, é importante conhecer ou, pelo menos, reconhecer suas formas.

Quando o Pequeno Príncipe encontra a raposa, por exemplo, vemos vários exemplos do Präteritum:
In diesem Augenblick erschien der Fuchs.
"Guten Tag", sagte der Fuchs.
"Guten Tag", antwortete höflich der kleine Prinz, der sich umdrehte, aber nichts sah.
(...) "Komm und spiel mit mir", schlug ihm der kleine Prinz vor. 

É importante reconhecer que "schlug...vor" vem de "vorschlagen" e que "sah" vem de "sehen". Mesmo que depois você não saiba usar essas formas, é bom treinar para reconhecê-las nos textos.

6) Aprenda palavras novas através da interpretação das partes
Existem muitas palavras que podem parecer "novas" a princípio, mas que são fáceis de serem compreendidas caso você entenda as partes que a formam. Isso se aplica especialmente a palavras compostas, mas também a outras palavras.

Sie haben sich tagelang darüber unterhalten.

Digamos que você esteja vendo a palavra tagelang pela primeira vez. Que tal dar uma olhadinha nas partes dela? Provavelmente você conhece a palavra Tag (dia) e sabe que seu plural é Tage (dias). A palavra lang também você conhecerá provavelmente como o adjetivo longo. Bem, mesmo sem olhar no dicionário você poderia chegar à interpretação dessa palavra como "ao longo dos dias". A palavra quer dizer "dias a fio, por vários dias". Existem também variantes como "wochenlang" e  "jahrelang". Eu sei que nem todo mundo consegue fazer esse tipo de interpretação, mas antes de olhar num dicionário, veja se você mesmo(a) não consegue interpretar a palavra.

Essa capacidade de inferir significados não cai do céu. É necessário ter um bom repertório de raízes germânicas bem como de prefixos e sufixos. Por exemplo: Das kann ich mühelos verstehen. 
Digamos que você nunca tenha ouvido a palavra mühelos, mas já tenha conheça a palavra Mühe (esforço), fica mais fácil entender a palavra quando se sabe que o sufixo -los quer dizer (sem, ausente de). Ou seja, mühelos = sem esforço. Se você vir a palavra "Bemühungen" e souber o sentido dos prefixos e sufixos, não será dificíl perceber o significado.

P.S. Eu sei que nem todo significado das palavras se obtém através da intepretação das partes, mas na maioria dos casos, sim, portanto, a dica continua sendo útil.

Para leitores avançados:
7) Traduza textos da sua área de estudo ou de interesse
Existem muitos e muitos textos em alemão sem tradução para o português. E você pode aprender alemão traduzindo-os. Esse tipo de aprendizado através da tradução não é muito indicado para quem tem conhecimento zero do idioma. Mesmo quando a pessoa já tem um bom nível no idioma, pode ser bastante chato e desafiador traduzir textos complicados. Conheço várias pessoas que aprendem alemão para ler obras clássicas de filosofia, política, psicanálise,  etc. no original.

Um texto de Freud. Quer tentar?

DAS TRAUMMATERIAL – DAS GEDÄCHTNIS IM TRAUM
Daß alles Material, das den Trauminhalt zusammensetzt, auf irgendeine Weise vom Erlebten abstammt, also im Traum reproduziert, erinnert wird, dies wenigstens darf uns als unbestrittene Erkenntnis gelten. Doch wäre es ein Irrtum anzunehmen, daß ein solcher Zusammenhang des Trauminhaltes mit dem Wachleben sich mühelos als augenfälliges Ergebnis der angestellten Vergleichung ergeben muß. Derselbe muß vielmehr aufmerksam gesucht werden und weiß sich in einer ganzen Reihe von Fällen für lange Zeit zu verbergen. Der Grund hiefür liegt in einer Anzahl von Eigentümlichkeiten, welche die Erinnerungsfähigkeit im Traume zeigt und die, obwohl allgemein bemerkt, sich doch bisher jeder Erklärung entzogen haben. Es wird der Mühe lohnen, diese Charaktere eingehend zu würdigen.

Então muita hora nessa calma! Antes de se desesperar, faça as seguintes perguntas:
1) Você já tentou ler um texto do Freud antes em português? A leitura foi fácil? Se foi difícil, ela também será difícil no original.
2) Você tem uma boa noção dos fenômenos gramaticais e estruturais da língua alemã? Ou seja, você consegue reconhecer como uma oração é formada, qual palavra vem primeiro, qual palavra aparece no fim e como as palavras se ligam umas às outras? Se sua resposta for NAO, pode ser bastante complicado entender um texto mais complexo.
3) Você está familiarizado com o linguajar dessa área de estudo? Ou seja, você já leu outros textos em língua materna sobre o mesmo tema? (Não adianta querer ler textos de Marx sem nunca ter lido nada sobre o Comunismo, né?)
4) Não se preocupe: as pessoas não costumam falar alemão assim. A linguagem científica costuma ser complicada mesmo em qualquer idioma.

Antes de sair traduzindo textos, veja se você está familiarizado com esse tipo de texto no seu próprio idioma. Um advogado terá menos dificuldade em traduzir um texto jurídico do alemão pro português do que um leigo. Portanto, caso você queira aumentar seu vocabulário na sua área de estudo, você pode traduzir textos (mesmo aqueles para os quais já exite uma tradução) como exercício. Nesse caso, a leitura do texto vai ser mais lenta do que a leitura por diversão. Dependendo da complexidade do texto, você pode precisar de dias para traduzir um capítulo do livro que queira ler, mas esse processo de traduzir pode te dar mais segurança para ler outros textos mais tarde. Faça isso como exercício.

Veja que as frases de textos científicos são mais longas (o primeiro período do texto tem mais de duas linhas). É importante perceber onde uma oração começa e a outra termina. Além disso é importantíssimo procurar palavras (conjunções, pronomes etc.) que se referiam a outros termos do período. Então vá analisando as frases com calma:

Daß alles Material, das den Trauminhalt zusammensetzt, auf irgendeine Weise vom Erlebten abstammt, also im Traum reproduziert, erinnert wird, dies wenigstens darf uns als unbestrittene Erkenntnis gelten.

No período acima, o pronome dies (isto) se refere a algo que já foi citado antes. Mas o que já foi citado antes é um período complexo, com muitos verbos, vírgulas etc. Para entender melhor essa primeira frase, podemos olhar o diagrama abaixo:


O pronome dies se refere a tudo o que foi dito antes. Há três informações sobre o "Material" que compõe (zusammensetzt) o contéudo do sonho (Trauminhalt). A oração principal é a de baixo. As duas outras orações são uma explicação (ou melhor, uma informação adicional) desta principal (iniciadas por also). E tudo isso que foi dito já deve ser considerado (gelten) pelo menos (wenigstens) como um reconhecimento incontestável (unbestrittene Erkenntnis).

Tente fazer isso com seus textos da faculdade ou qualquer texto do seu interesse. Tente traduzir uma ou duas páginas por dia, como exercício. Com frases longas, veja onde uma coisa começa e termina. Procure palavras que indiquem para outras partes da oração.

E você tem mais dicas de como melhorar o seu alemão através da leitura? Compartilhe nos comentários. 

25 de setembro de 2014

Como organizar um plano de estudo autodidata

Toda semana recebo mensagens de diferentes pessoas com mais ou menos os seguintes dizeres: "Oi, estou querendo aprender alemão, comprei uns livros, mas não faço a menor ideia de como proceder. Você poderia me dizer como devo fazer um plano de estudo?"

Bem, essa é uma daquelas perguntas que recebo com frequência e que são impossíveis de responder pelos seguintes motivos: como EU posso fazer um plano de estudo para VOCÊ sem saber absolutamente nada sobre você: não sei se você já estudou outra língua de forma autodidata, que materiais você tem à disposição, quanto tempo você tem para se dedicar, se você tem facilidade para aprender idiomas ou não etc. São TANTAS variáveis que acho impossível ajudar as pessoas a organizarem um plano de estudo. E mesmo assim não tenho tempo para dar essa assistência gratuita ... infelizmente... Time is money :-(

Mas posso dar algumas dicas que valem para todos:

1) Não é necessário ter milhares de materiais de estudo
Com a era da internet as pessoas têm acesso a muito material escaneado ou distribuído na internet de forma ilegal. Com essa facilidade de encontrar livros, há muitos aprendizes que saem baixando muitos gigabytes de livros, arquivos de áudio e lotando de materiais HDs internos e externos. Aqueles que ainda investem dinheiro na compra de livros, acabam também comprando muitos livros novos, apesar de já terem vários na estante, sempre na esperança de encontrar O MELHOR LIVRO. Mas a pergunta vale para todos? Qual a porcentagem de todos os livros de ensino de alemão que você tem no computador ou na estante você realmente leu pelo menos uns 80% de seu conteúdo?

Um monte de material de finlandês,
mas sem estudar a língua jamais entrará na cabeça.
Eu não estou condenando ninguém que faz isso. Eu mesmo já cometi o mesmo erro (por impulso). Alguns aqui sabem que eu “estudo” (entre outras) a língua finlandesa (apenas por hobby). Eu tenho mais de 10 livros de finlandês. Claro que eu dei uma “olhadinha” em todos eles. Mas meu nível de finlandês é o A1.1 (ou seja, eu não sei quase nada ainda, sei apenas o básico do básico para conversação). Então de que me adiantam tantos livros de finlandês, se eles ficam apenas como enfeite na estante? Eu DEFINITIVAMENTE não preciso mais comprar livros de finlandês. Falta apenas criar vergonha na cara para estudar.

Então pra começar os estudos escolha UM (no máximo DOIS) livros que você queira usar como método de estudo, ou seja, aquele livro que você vai seguir capítulo por capítulo. Se você tiver mais materiais, deixe-os guardados e use-os apenas para consulta ou para reforçar conteúdos que não ficaram claros no livro que você escolheu para ser o principal. Nada de ficar seguindo 4-5 métodos diferentes com materiais diferentes. Isso parece produtivo, mas cada livro pode seguir uma progressão bastante diferente, trazendo mais confusão.

2) Não existe O MELHOR método
Pare de acreditar que existe O MELHOR método de aprendizado. Isso é papo de marketing de escolas de idiomas. Cada pessoa é diferente e aprende de forma diferente. O que é melhor pra um pode não funcionar com outros. Há pessoas que aprendem lendo, outras estudando gramática, outras viajando pro país e ouvindo etc. Isso varia de pessoa para pessoa. Claro que isso não impede ninguém de buscar dicas de aprendizes de sucesso. Se você já tiver aprendido um idioma, reflita um pouco sobre o que você fez para aprendê-lo, veja as técnicas que deram certo e tente aplicá-las para o alemão. Se alemão for o primeiro idioma estrangeiro, experimente um método e veja se traz resultados. Depois vá utilizando aquilo que dá certo e te deixa motivado e vá deixando de lado as coisas que te deixam confuso. Não acredite que a compra de um único livro ou de um único app vá te levar à fluência. Isso não existe. Mesmo que haja um livro muito bom, a fluência você só vai conseguir quando começar a praticar a língua com os falantes do idioma. Você vai começar cometendo erros. Através dos erros você vai descobrindo seus pontos falhos e voltará aos estudos para tentar aperfeiçoar sua capacidade de falar um idioma. É assim que se faz: estudo - prática - erros - estudo - prática - erros etc. Não fique só nos livros, teste-se usando a língua na prática.

3) Há muitos livros bons de alemão no mercado
Quando se está começando a estudar um idioma, a primeira pergunta que uma pessoa se faz é "Qual livro?" (Hoje em dia também "Qual app?"). Bem, o chato é que 80% das pessoas espera que nós indiquemos um livro maravilhoso e milagroso. E é por essa razão que eu simplesmente não indico livro nenhum. Eu posso ir para uma livraria com alguém para a sessão de Alemão como Língua Estrangeira, tirar vários livros da prateleira e dizer os pontos positivos de cada um (quem morar em Bremen e quiser um dia comigo numa livraria, eu posso mesmo fazer isso rsrsrs).

As principais editoras da Alemanha vivem publicando novos livros de DaF (Alemão como Língua Estrangeira). Todo ano recebo vários catálogos e livros novíssimos prometendo ser o que há de mais moderno e inovador. Na realidade, um aluno de um curso de língua não consegue absorver tudo que um livro contém. É por isso que, na prática, tanto faz qual livro. Você tem que gostar do livro (tem que gostar dos diálogos, achar o livro bonito, interessante, ter vontade de trabalhar com o livro, de fazer os exercícios etc.). Se você GOSTAR de trabalhar com o livro, já é meio caminho andado. Às vezes o livro de que o professor gosta, não agrada aos alunos. Se você for autodidata, escolha um que lhe agrade, que tenha muitos exercícios e que tenha as respostas pra você conferir se está fazendo os exercícios corretamente.

P.S. Escrever à mão traz mais resultados que estudando só no computador. Veja aqui.

4) Trace objetivos antes de começar a estudar
Alice (aquela do País das Maravilhas) encontra um caminho bifurcado. O Gato que Ri aparece. Alice então diz:
- Você poderia me dizer, por gentileza, como é que eu faço pra sair daqui?
- Isso depende muito de para onde você pretende ir - disse o Gato.
- Para mim tanto faz para onde quer que seja...-respondeu Alice.
- Então, pouco importa o caminho que você tome - disse o Gato.

Sei que soa meio piegas, mas a moral é essa mesma. Se você não sabe o que quer aprender, tanto faz qual livro, qual método. Pegue qualquer um e vá estudando de acordo com o que o livro lhe diz que é importante aprender. Mas se você sabe o que quer aprender (por exemplo: você quer passar na prova onDaF, você quer entender filmes em alemão, você quer paquerar um(a) alemã(o) na balada, você quer fazer faculdade na Alemanha, você quer não precisar falar inglês durante uma viagem à Alemanha etc.) Seja qual for o seu objetivo, tenha-o em mente ao começar seus estudos. Se for um objetivo grande, tente traçar objetivos a curto prazo. (Por exemplo: se seu objetivo for não falar inglês na Alemanha mesmo numa viagem a turismo, trace vários objetivos de aprender a se comunicar em todas as situações turísticas: restaurante, estação de trem, perguntar por direções etc.). Se seu objetivo for apenas “falar alemão”, tente ser mais específico... falar alemão pra quê? Com quem? Com gente jovem usando gírias ou com um futuro chefe de uma multinacional? Você quer só saber bater papo no Facebook ou quer ser capaz de escrever uma tese de doutorado em alemão? Tudo isso vai fazer diferença no esforço que você aplicará ao estudar.

P.S. ESCREVA SEUS OBJETIVOS em algum lugar visível. Sempre que for estudar, tenha-os sempre em mente.

5) Seja constante
É melhor estudar 30 minutos diários de segunda a sábado do que estudar três horas uma vez por semana. Quer uma ajuda para ser constante? Instale o app do Duolingo no seu smartphone. O app te lembra todos os dias que você tem que estudar. Se você tiver um nível avançado talvez o app do Duolingo não seja uma boa opção. Nesse caso seria bom ter um livro em alemão para ler nas horas vagas. Melhor ter contato todos os dias com o idioma do que apenas esporadicamente. Planeje um dia de folga nos estudos. Todo mundo merece um dia de descanso.

6) Pare de dizer que você não tem tempo
Você TEM tempo. O problema é que alemão ainda não é sua prioridade. No dia em que isso for prioridade você arranjará tempo. Eu sei que tem gente que tem filhos, família, trabalha o dia todo e depois está exausto para estudar? Mas vamos ser bem sinceros: se a sua agenda está tão cheia de coisas importantíssimas, por que você quer aprender alemão? Pense nos motivos para aprender o idioma e verifique se não dá pra substituir as horas gastas no Facebook ou assistindo à sua série favorita com horas estudando uma língua. Faça uma lista de prioridade. Organize-se. De qualquer forma, ninguém pode dizer o que tem mais prioridade na sua vida, a não ser você. A gente sempre arranja tempo para aquilo que é prioridade.
Se mesmo assim você se vir preso com o seu tempo, tente conseguir cursos de áudio para ouvir no carro/no ônibus/no metrô a caminho do trabalho ou enquanto estiver correndo no parque. Para os que sabem inglês, por exemplo, os cursos de Michel Thomas e do Pimsleur são cursos de áudio bem cotados. As aulas do Pismleur, por exemplo, são de meia hora.

7) Peça a ajuda de profissionais
Sei que a situação financeira de ninguém está fácil. Nem todo mundo tem dinheiro para pagar um curso caro de alemão, mas existem pessoas formadas como professores de alemão, ou seja, gente que estudou vários anos para dar aulas desse idioma. Se você se sentir perdido durante os seus estudos autodidatas, que tal contratar os serviços de um professor particular? Tá, eu sei, professor particular é caro, mas você pode contratar uma ou duas horas para tirar suas dúvidas, ver no que você precisa melhorar ou até mesmo para te ajudar a traçar um plano de estudo. Nem tudo na vida se consegue de graça. O nosso blog oferece muita informação gratuita, mas ainda assim você também pode doar (há um botão à esquerda) caso ache que o trabalho feito aqui seja de qualidade. Tenho certeza de que você não ficará mais pobre se pagar uma hora de aula particular. Valorize os professores. Se na sua cidade não houver professor, verifique a possibilidade de contratar um professor que dê aulas por Skype. Se você fizer questão de contratar um professor nativo, verifique se a pessoa tem o mínimo de formação para dar aula. Nem todo mundo que é nativo de uma língua sabe dar aula daquela língua.

Se você nunca tiver estudado uma língua sozinho, aconselho a procurar ajuda de um profissional pelo menos para lhe dar um rumo nos estudos.

8) Adapte seus estudos às suas necessidades
Não deixe os livros decidirem sempre o que você tem que aprender. No meu curso de português eu uso um determinado livro. Mas eu pulo umas duas lições do livro, pois percebi que o conteúdo que elas abordam é de menos importância para os meus alunos. Há uma lição, por exemplo, em que eles ensinam como reservar quartos em hotéis. É um assunto importante. Bem, meus alunos quase nunca vão ao Brasil a turismo. Geralmente vão fazer intercâmbio. Prefiro ensinar mais tarde aos meus alunos como procurar anúncios de quartos em república pela internet. Isso é uma forma de adaptação da progressão de um livro.
Há livros mais antigos que ensinam como comprar selos no correio e enviar uma carta. Muitos dos jovens nunca enviaram uma carta. Eu já dei aula para uma adolescente que nem sabia para que serviam os selos. Se você vir uma lição que trate exclusivamente sobre os Correios, pode ser que você decida não passar muito tempo nela.
Resumo da ópera: não se sinta obrigado a estudar TODAS as lições de um livro, mas observe pelo menos se naquela lição há conteúdo gramatical relevante antes de passar para a próxima.

9) Faça um balanço entre as competências linguísticas
Aprender um idioma requer aprender muitas habilidades: ler, escrever, falar (monólogo/diálogo), ouvir. Há pessoas que querem aprender uma língua apenas para ler. Outros querem aprender só a conversar, mas não querem escrever muito. O ruim é que os cursos de línguas e os livros didáticos tentam preparar a pessoa para usar todas as habilidades. Ou seja, livros bons têm arquivos de áudio e exercícios para escrever. É importante que você tenha o foco nas habilidades que você mais quer (por exemplo, falar/ouvir), mas se um dia você precisar ser testado sobre o seu nível, esteja ciente de que outras habilidades poderão ser pedidas. Uma pessoa pode entender quase tudo o que se diz, mesmo assim ser um B1+ quando fala e quando escreve tem um A2. Cada habilidade pode se desenvolver de forma independente.
No ENEM/Vestibular, por exemplo, a prova de Redação é uma das provas que elimina muitos candidatos. Estamos falando aqui de falantes nativos de português que não conseguem organizar ideais num texto coeso na língua materna. Pois bem, agora imagine que você consiga chegar num bom nível de conversação em alemão, mas negligencie a parte escrita. Se um dia alguém quiser testar seu nível, pode ser que isso te prejudique. O melhor é treinar todas as habilidades.

Para finalizar: Como organizar um plano de estudo.


1) Pergunte-se primeiro sobre O QUE e POR QUE você quer aprender. Escreva isso num papel (é sério.. escreva o seu objetivo num papel).
2) Depois de saber o que quer aprender, procure materiais. Escolha o livro que mais lhe agradar e trabalhe com ele. Tenha outros materiais (gramáticas, por exemplo) como consulta, mas não siga muitos métodos ao mesmo tempo. Dê preferência a métodos modernos e comunicativos.
3) Tente praticar a língua com falantes o mais cedo possível, pois nenhum livro/app vai te tornar fluente. Cometa erros sem medo. Os erros é que vão te fazer acertar depois.
4) Estude regularmente. O tempo de estudo varia de pessoa para pessoa. Acho que 30 minutos diários sem distrações é um tempo bom e realista para a maioria das pessoas. Desligue o celular durante esse tempo e evite distrações (internet). Dê preferência a livros de papel para evitar distrações.
5) Nos dias em que você não estudar, mantenha o contato com a língua através de músicas, apps etc.
6) Trace objetivos a curto prazo e mantenha sempre os seus objetivos em mente para controlar o seu sucesso.
7) Treine todas as habilidades (falar/ler/ouvir/escrever). Exceção: se seu objetivo for treinar só 1-2 habilidade(s), mantenha o foco nestas, mas não deixe as outras de lado completamente.
8) Peça ajuda esporádica a um profissional para tirar dúvidas ou para que ele avalie o que você já fez e te ajude a traçar um rumo nos estudos.

Bem, espero que essas tenham sido dicas úteis. Agora que você já tem os materiais, mãos à obra.
Quer dicas de gramáticas? Clique aqui.
Quer dicas de dicionários? Clique aqui.
Quer saber onde comprar livros de alemão? Clique aqui.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...