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27 de outubro de 2014

Como escrever os sinais diacríticos (acentos) do português num teclado alemão

O texto abaixo foi escrito em alemão para ajudar meus alunos de português com a acentuação. Por isso compartilho aqui com todos. 

Es gibt keine Ausrede, keine Akzente mit dem Computer zu schreiben, weil man sie nicht hat.

Auf der deutschen Tastatur sind praktisch alle Akzente, die man für das Portugiesische benutzt, mit Ausnahme vom cedilha: "ç".

All die Akzente, die ich hier zeige, soll man VOR dem Vokal tippen, d.h., Fábio tippt man F - AKZENT "´" - a - b - i - o.

Im Portugiesischen gibt es die folgenden Diakritika:

1 - ACENTO AGUDO - auf allen Vokalen möglich (chá, pé, língua, só, açúcar), weist auf die betonte Silbe hin. Auf é und ó heißt es auch, dass die Vokale "offen" ausgesprochen werden müssen.

Auf der deutschen Tastatur findet man den acento agudo neben der ß-Taste.

2 - ACENTO GRAVE - im heutigen Portugiesischen nur auf dem "à" möglich (Ex.: à, às, àquele, àquilo), weist auf die Verschmelzung der Präposition "a" mit dem Artikel "a(s)" hin. Mit den Demonstrativa "aquele(s), aquela(s), aquilo" wird die Präposition auch verschmolzen.

Auf der deutschen Tastatur findet man den acento grave nebem der ß-Taste, über dem acento agudo.

3 - ACENTO CIRCUNFLEXO - nur auf â, ê und ô möglich. (Ex.: câmera, você, avô), weist auf die betonte Silbe hin. Auf ê und ô heißt es auch, dass die Vokale "geschlossen" ausgesprochen werden müssen. Im heutigen brasilianischen Portugiesischen kommt ein circunflexo  sehr oft  vor M oder N. In diesen Fällen wird der Vokal nasal ausgesprochen: (ciência, Antônio, Ângela).

Auf der deutschen Tastatur findet man den acento circunflexo neben der 1-Taste.




4 - TIL. nur auf ã und õ möglich, weist auf eine Nasalierung der markierten Vokale hin (wie bei "alemã" oder bei "corações").

Auf der deutschen Tastatur findet man den til neben der Ü-Taste zusammen mit dem "+". Aber leider funktioniert das nur mit Microsoft Office (Word, Excel etc.)

Man muss bei Word: STGR + ALT + "~" gleichzeitig drücken und dann das "a" oder das "o".

Im Internet funktionieren nur Alt + numerische Tastenkombinationen!!!Das gilt auch für cedilha. (ACHTUNG: Die Zahlen der Tastenkombinationen müssen mit der numerischen Tastatur eingegeben werden. Diese Kombinationen funktionieren also NICHT mit den Zahltasten, die sich über den normalen Buchstaben befinden.)

Für "ç" drückt man ALT + 0231.
Für "õ" drückt man ALT + 0245.
Für "ã" drückt man ALT + 0227.

5 - TREMA - Das Trema sind die zwei Pünktchen über bestimmten Vokalen, wie im Deutschen Ä, Ö und Ü. Vor 2009 hatte man in Brasilien immer auf dem Ü geschrieben bei "qüe", "qüi", "güi", "güe", wenn das U mitgelesen werden sollte.

d.h. Man hat z.B. "tranqüilo" geschrieben, weil man "tran-kui-lo" lesen sollte. Aber bei "quilo" liest man das "u" nicht mit. Daher kein "ü".

Heutzutage hat man das "trema" (leider!) abgeschafft. Man schreibt "ü" nur bei Wörtern, die aus dem deutschen stammen z.B. mülleriano.

Das TREMA gibt's aber immer noch in brasilianischen Tastaturen, normalerweise über der 6.

Für "Mac"-User habe ich Tipps von Freunden geholt:
"Oben rechts in der Symbolleiste (wo sich auch der Batteriestatus, etc. finden) gibt es ein kleines Tastatur-Icon. "Tastaturübersicht einblenden". Wenn du dann auf die "alt"-Taste drückst, siehst du, welche Zeichen/Symbole/Buchstaben sich unter den sichtbaren Tasten 'verstecken'. Wenn das Symbol noch nicht in der Leiste ist > unter Systemeinstellungen > Tastatur auch erreichbar. So siehst du dann auch, dass "alt" + "c" = ç" (Danke, Lisa)

Wenn jemand was anderes kennt, bitte, einfach einen Kommentar hinterlassen :-)

26 de outubro de 2014

5 coisas legais e 5 coisas chatinhas da língua alemã


Legais/Simples
1) Tem uma ortografia bastante regular
Alemão tem um sistema ortográfico bastante regular. Ou seja, depois de aprender algumas regrinhas básicas de como se leem as letras (afinal, cada língua que usa o alfabeto latino lê determinadas letras de um jeito diferente), fica fácil saber como se lê uma palavra.
Por exemplo: "ei" se lê com som de "ái" como no nome do cientista Einstein. "eu" se lê com som de "ói" como em "Freud". Sendo assim: nein (=não) se lê como "náin"  e neun (=nove) se lê como "nóin".

Bem diferente da ortografia francesa onde nem sempre se sabe quais letras são lidas e quais não. Em francês, o mês de agosto se escreve "août" mas as letras "a" e "o" não são lidas . O "ill" em "fille" é lido de forma diferente da palavra "ville" .

Isso sem falar da língua inglesa que tem palavras como "laugh"  (lido aprox. como "léf") ou "enough" , mas "thorough" .

Sim, comparado a outros idiomas, a escrita do alemão é bastante simples.

2) Tem palavras longas, sim, mas isso é mamão com açúcar

Todo muito gosta de assustar os outros com palavras gigantescas do alemão como "Donaudampfschifffahrtsgesellschaftskapitän" ou "neunhunderteinundfünfzigtausenddreihundertsiebenundvierzig".

O fato de se escrever algo em uma palavra só não torna algo mais "difícil". À primeira vista, pra quem nunca leu nada em alemão parece algo impossível de dizer. Mas são apenas várias palavras escritas sem espaço.
Écomosederepenteeucomeçasseaescreverassimtudojuntoesemespaço. Quando se sabe a língua fica mais fácil reconhecer as partes das palavras.
Além disso, muitas das palavras que rolam por aí para assustar os outros são palavras técnicas que foram usadas em algum documento alguma vez e que nunca são usadas na vida real. É como dizer que a maior palavra em português é "pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico". Você já ouviu alguém usar essa palavra? Com certeza não. Então por que diabos você acha que as pessoas saem por aí dizendo Donaudampfschifffahrtsgesellschaftskapitän?

Há também diversos exemplos de palavras que em alemão são menores que outras línguas.


Dê uma olhadinha nesse álbum do Facebook e você verá mais exemplos. Clique aqui.
Se quiser entender melhor como se formam palavras compostas em alemão, clique aqui.

3) É uma língua indo-europeia com muitos cognatos de origem latina
O tronco indo-europeu dos idiomas é bastante amplo. Como o nome já diz "indo" (línguas da Índia) e "europeu" (línguas da Europa). Nem toda língua da Índia faz parte desse tronco linguístico, assim como nem toda língua da Europa. Mas quase toda língua falada hoje na Europa é indoeuropeia.

Finlandês, por exemplo, não é uma língua indo-europeia.. vejam o exemplo abaixo:
A Finlândia fica na Europa, mas finlandês não é uma língua indo-europeia.

Alemão, por sua vez, tem muitas palavras de origem greco-latina ou outros internacionalismos. Veja se você consegue reconhecer as seguintes palavras alemãs: System, Problem, Religion, Politik, Mathematik, Geographie, Aperitif, Kilometer, Thermometer, Patient, Passagier, Musik etc.

O inglês tem muitas palavras de origem germânica. Por isso é muito fácil reconhecer certas palavras do alemão quando se sabe inglês: Hand - hand; stoppen - to stop; sprechen - to speak; gut - good; warm - warm; ich kann - I can; kommen - come; finden - to find etc.

Em línguas não-indo-europeias fica muito mais difícil reconhecer palavras. Alemão/Finlandês - sprechen - puhua; gut - hyvä; kommen - tulla. Dá pra perceber que é bem mais complicado memorizar palavras, não é?

Sem falar das estruturas gramaticais. O fato de português e alemão serem do mesmo tronco facilita na hora de reconhecer certos fenômenos. Por exemplo:

Em português e alemão usamos preposições:
Eu vou para casa.
Ich gehe nach Hause. 

Ou seja, em português e alemão é o uso de uma preposição (para e nach) que indica a direção de um deslocamento.
Finlandês, por exemplo, tem um caso específico para indicar isso.
Menen kotiin. - Ich gehe nach Hause. (o que está marcado de vermelho, por exemplo, é o que indica "para").

Essas categorias gramaticais que conhecemos são fortemente influenciadas pelas gramáticas do latim e do grego. O fato de as nossas línguas terem conjugações, de essas conjugações serem (geralmente) em três pessoas do singular e três pessoas do plural, de o sujeito ser normalmente o caso reto (nominativo) etc. não são mera coincidência, são coisas em comum com a maioria das línguas indo-europeias. Isso facilita bastante coisa. Há línguas com um sistema pronominal bem mais complexo. Por exemplo: há línguas que têm duas palavras para "nós": uma inclusiva (você e eu) e uma exclusiva (os outros e eu, mas não você). À medida que você estuda idiomas mais distantes, vai ver que há muito mais caroço no angu dos idiomas do que você imaginava.

4) Não tem gerúndio
O sistema verbal do alemão é bastante simplificado comparado a outros idiomas mais estudados. E uma das coisas mais interessante é a ausência de um tempo verbal para ações contínuas/imediatas.

É isso. Alemão não tem um tempo verbal formado com o gerúndio. Sendo assim (dependendo do contexto):
Ich esse = Eu como, eu estou comendo
Ich habe gegessen = Eu comi, eu comia, eu estava comendo
Das wird gemacht = Isto é feito, isto está sendo feito, isto será feito, isto estará sendo feito

Ou seja, menos formas verbais a serem aprendidas = mais alegria dos alunos :-)

Se bem que tem sempre aquele aluno que pergunta: "Mas e se eu quiser fazer essa diferença?". Dá vontade de dizer: "Meu filho, por que você quer complicar as coisas?".

Existem diversos tópicos sobre o gerúndio em alemão aqui no blog. Você pode começar lendo a parte I aqui.

O número 5 deixarei para o fim!

Coisas chatinhas
1) Tem três gêneros gramaticais nem sempre reconhecíveis através da lógica

Diferente do português (que tem só masculino e feminino) e do inglês (cujos substantivos perderam, em grande parte, as marcas de gênero), o alemão possui TRÊS gêneros: masculino, feminino e neutro. E apesar de haver algumas regras que podem ajudar a reconhecer o gênero (como, por exemplo, através de sufixos: Substantivos em -heit, -keit, -schaft são sempre femininos), há inúmeros substantivos concretos cujo gênero não é definido por regras.

A Lua (der Mond) é masculino em alemão. O Sol (die Sonne) é feminino. (Se bem que no caso do Sol, dá pra aplicar a dica de que a maioria das palavras terminadas em -E são femininas). A mesa (der Tisch) é masculino. Das Weib (a mulher) é do gênero neutro. Wort (a palavra) é do gênero neutro, mas Antwort (resposta) é do gênero feminino.

O pior de tudo é que saber o gênero é fundamental para entender o resto da gramática.
Para aprender as regras dos gêneros, clique aqui.

2) Tem oito formas diferentes de fazer plural

O plural é outra pedra no sapato dos estudantes iniciantes.

Português, inglês, espanhol, francês fazem o plural dos seus substantivos quase sempre com a adição de -s. Em todas elas é também necessário aprender algumas regrinhas adicionais de plural, tal como casos em que se tem que acrescentar -es ou trocar uma letra por outras antes de acrescentar -s.

português: animal - animais; coração - corações
espanhol: animal - animales; corazón - corazones
inglês: animal - animals; heart - hearts
francês: animal - animaux; coeur - coeurs

Pra que falar alemão quando se pode fazer mímica?
Alemão tem (no mínimo) oito maneiras diferentes de se fazer plural. Às vezes acrescenta-se um -E, outras vezes um -N, outras vezes um -ER, outras vezes coloca-se um trema na palavra, umas vezes isso, outras vezes aquilo. E mais uma vez: há algumas regras para se saber como se forma o plural. Mas a maioria das vezes é necessário memorizar.

Lembram-se nas aulas de inglês quando se aprende que o plural de child é children, que o plural de foot é feet, que o plural de man é men? Pois é. No inglês, estes plurais são exceção. No alemão são a regra.

Para ler mais sobre plural, clique aqui.


3) Tem muitas consoantes juntas
Tá... é fácil ler uma palavra alemã como Haus, heiße, Lamm, sie, geht, Kugel etc.

Mas olhe só o número de consoantes juntas da pergunta "Sprichst du Deutsch?"- começa com SPR, depois do "i" vem CHSTD. Hahaha falantes do português têm dificuldade de pronunciar tantas consoantes sem nenhum apoio vocálico.
São os chamados consonant clusters.

Alguns exemplos:

selbstständig
Arndtstraße
Beherrschst du?
Schnarchst du?
Angstschweiß
entpflichten

Enrolou a língua?

4) Tem declinação de artigos, adjetivos, substantivos, pronomes etc.
Declinação puxando o tapete de muita gente
Um das coisas que os estudantes iniciantes mais temem são as declinações. Sim, a língua alemã tem declinações. Tem quatro casos: Nominativo, Acusativo, Dativo e Genitivo. O genitivo é pouco usado na linguagem falada. Na verdade, a maior dificuldade dos alunos é saber qual caso usar entre o acusativo ou dativo. As declinações, em si, não são tão complicadas quanto parecem, mas para acertar a declinação, é necessário primeiro saber o gênero do substantivo (masculino, feminino ou neutro) - o que, como já foi dito, nem sempre é baseado em alguma regra lógica.

A declinação dos adjetivos é algo que requer bastante treino, pois depende não só do substantivo ao qual se refere, mas também das palavras que vêm antes. Pra dificultar tudo de uma vez por todas, aqueles que esperam aprender tudo isso só de ouvido na Alemanha, sem estudar muito, vão ter outro problema. As terminações das declinações são átonas, ou seja, pronunciadas de forma bem sutil, de forma que é difícil ouvir bem a diferença entre um -EN ou -EM ou entre um -E ou -ER quando o ouvido não está bem treinado. Moral da história: declinação se aprende estudando!

Como dizia minha professora de alemão: Bota a bunda na cadeira e estuda, menino!

Mas não precisa ter medo de declinação: Clique aqui e aqui para entender melhor.

5) Tem orações com verbo no fim e verbos separáveis

Oi, o que aconteceria, se todos nós falantes do português o verbo no fim da frase colocássemos? :-)

Pois é... a língua alemã tem diversas regras sobre a posição exata na qual um verbo deve aparecer numa oração. Às vezes o verbo é o primeiro termo da oração, às vezes o segundo e às vezes o último. Quando há muitos verbos numa oração pode ocorrer de a frase terminar com vários verbos, sempre na ordem contrária da que estaria na oração tradicional, deixando qualquer aprendiz bastante confuso no começo.

Ich weiß, dass das morgen gemacht werden muss.
Ao pé da letra: Eu sei que isso amanhã feito ser deve.

E se isso não fosse o suficiente, há verbos alemães que separam o seu prefixo e o jogam para o fim da oração.
É como se alguém pegasse os prefixos dos verbos "compartilhar" e "prever" e dissesse assim?
Os meteorologistas veem as condições climáticas pre.
Partilhei a sua foto no Facebook com.

Em alemão colocar o prefixo separável no fim da oração é muito comum. Em inglês há algo parecido com os phrasal verbs. Por exemplo: to turn on - Turn the light on. Mas em inglês também é possível dizer Turn on the light. Em alemão só é possível dizer "Mach das Licht an". E se a frase for aumentando o prefixo "an" vai ficando cada vez mais longe do resto do verbo. Ich mache in zwei Minuten alle Lichter an. Muitos estudantes de alemão reclamam que esquecem o prefixo quando estão falando. :-(

Mais sobre prefixos separáveis você pode ler aqui.

Mas agora vem o ponto positivo final
5) Apesar de tudo isso, eu adoro a língua alemã
Eu adoro a língua alemã, porque:
- saber alemão me faz entender melhor a História já que a Alemanha foi protagonista de grandes acontecimentos históricos do século XX.
- saber alemão me abriu as portas para um país moderno, uma das grandes potências do fim do século XX e do século XXI.
- saber alemão me fez finalmente entender melhor as aulas de análise sintática na escola
- saber alemão me ajudou a entender melhor a sociedade e cultura de outro país, fazendo com que eu não veja o mundo da mesma forma que eu via antes
- saber alemão me faz expressar certas coisas usando apenas uma palavra (por exemplo Schadenfreude é a alegria que se sente pela desgraça alheia - quando você ri de alguém que cai da bicicleta, por exemplo. Isso tem nome. É Schadenfreude)
- saber alemão me deu a chance de ler diversas obras literárias, filosóficas e científicas no original
- saber inglês é obrigação, saber alemão é diferencial
- falar alemão é foda


E você? Pensa diferente? :-) Quais são as coisas de que você mais gosta na língua alemã?

24 de outubro de 2014

Orações Relativas depois de pronomes

Olá.

Estava lendo os tópicos sobrr pronome relativo e entendi (ufa kkkk). Seu blog consegue clarear a mente mais confusa que possa existir. ;) Mas gostaria que me tirasse uma dúvida, por favor. Nesse exemplo que estou colocando, qual seria o pronome relativo?


Eu sou aquele que é responsável pelo setor.


Sim, eu sei que podemos dizer simplesmente "eu sou o responsável pelo setor".

Acho que quero de alguma forma saber se existe um pronome relativo para "eu", "tu", etc.

Der Mann - pronome relativo - der (se nominativo).


Mas e se só tiver um ich ou outro pronome antes da virgula na oração, qual pronome relativo usar?

Ou nesse caso se usa o dass?

Grato desde já.

Rafael Galindo.

Obrigado pelo elogio e obrigado pela ótima pergunta.

Como falei no primeiro tópico (aqui) a conjunção DASS jamais poderá ser usada como pronome relativo. Ela é sempre uma conjunção integrante. Então a sua última pergunta tem "nesse caso se usa o dass?" tem um "não" como resposta.

Com pronomes indefinidos referentes a seres humanos no singular (jemand, niemand, einer, keiner etc.), os relativos ficam no masculino:
Por exemplo:
Eu conheço alguém que mora aqui.
Ich kenne jemanden, der hier wohnt.

Se o pronome referente a seres humanos for plural, o pronome relativo vai para o plural:
Todos que moram aqui devem se registrar.
Alle, die hier wohnen, müssen sich anmelden.

Se forem demonstrativos (dieser, diese, dieses, der, die, das, derjenige, diejenige, dasjenige, jener, jene, jenes etc.), já que eles têm gênero definido, fica fácil saber o gênero do pronome relativo.

Nesse caso chegamos ao seu exemplo inicial.

Eu sou aquele que...
Como você é homem usou o demonstrativo "aquele". Se fosse uma mulher, usaria "aquela".

Em alemão a tradução poderia ser "Ich bin derjenige, der..." ou mesmo "Ich bin der, der..." (neste último caso, o "der" antes da vírgula é o demonstrativo e depois da vírgula vem o pronome relativo).

Ich bin der(jenige), der für die Abteilung zuständig ist.

Se fosse uma mulher falando, seria:
Ich bin die(jenige), die für die Abteilung zuständig ist.

Depois de pronomes indefinidos neutros (não relacionados a seres vivos) como etwas, nichts, alles etc. e depois de superlativos neutros (das Beste, das Schönste etc.), usa-se o pronome relativo was.

Alles, was du sagst, ist falsch.
Tudo o que você diz é errado.

♫ Du bist das Beste, was mir je passiert ist.♫
Você é o melhor que me aconteceu.

Se houver só um pronome pessoal antes da vírgula, você pode usar o pronome de acordo com o gênero.

Ich kenne dich, der/die Arbeit macht.
Conheço você que faz o trabalho.

Neste caso, vai depender do sexo (masculino/feminino) da pessoa em questão. Caso você esteja fazendo um discurso e não tenha uma pessoa em mente, o ideal é usar o plural (já que o plural não faz distinção de gênero) ou você tem que dizer os dois pronomes mesmo para poder englobar ambos os sexos. Isso acontece também no inglês. Em textos é comum ver formas como "s/he" ou "his/her" quando se decide não usar só a forma masculina tentando englobar os dois sexos. Mas repetindo: caso você use um pronome indefinido (como jemand, por exemplo), usa-se então o masculino.

Espero que tenha respondido tudo :-)

22 de outubro de 2014

Vida na Alemanha: Água


Impressões e reflexões de um brasileiro em terras germânicas.

Wasser! Água foi uma das primeiras coisas que comprei ao vir para a Alemanha pela primeira vez. Lembro-me de que fui a um supermercado, comprei uma garrafa de um litro e meio de água mineral. Fiquei na dúvida se a água era com gás ou não. (Na época eu não sabia que "gás" era Kohlensäure). Detesto água com gás. O preço da garrafa eram míseros € 0,19. Ao passar no caixa, a moça me cobrou € 0,44. Estranhei, mas paguei. Depois descobri que se cobravam mais € 0,25 pela garrafa (que seriam devolvidos caso eu levasse a garrafa para recliclagem): o famoso Pfand. Abri a garrafa. Era água com gás.

Aliás, água potável para alemães é sinônimo de "água com gás". E se disser "Desculpa, eu não gosto de água com gás", ainda tem que ouvir um "Mas essa tem pouco gás". Tenho vontade de responder sempre "Mas tem o gosto horrível mesmo assim", mas mantenho a educação e digo "Pode ser da torneira mesmo".

Descobri só mais tarde que não havia problema em se beber a água da torneira. Quem nasce no Nordeste do Brasil jamais tem a coragem de beber água direto da torneira. Mas no Sul do Brasil, sim. No Rio Grande do Sul (onde morei) a água saía branca de tanto cloro. As pessoas lá bebiam da torneira. Não estava com pena de gastar € 0,19 na garrafa de água, mas ter ainda que levar as garrafas pra casa na mão? Um saco. Preferi beber água da torneira então. Aí me disseram: "cuidado, a água da torneira tem muito Kalk (uma espécie de cal)". Alguns alemães compram um aparelhinho chamado Wasserentkalker (descalcificador de água). Sempre fico de comprar um, mas até agora continuo bebendo a água com Kalk mesmo. Preguiça.

Uma coisa boa de se beber água da torneira é que ela já sai gelada. Não há necessidade de encher garrafa pra colocar na geladeira. Mesmo que isso fosse necessário, na torneira dá pra encher uma garrafa em segundos. A tarefa de encher as garrafas de água do filtro era o pesadelo de todas as crianças da minha geração.

Coisa boa da Alemanha é tomar banho quente. No Nordeste quase ninguém tem chuveiro elétrico. Não por falta de dinheiro, mas é que o clima é tão quente que é um luxo desnecessário. Minha avó dizia que banho morno era pra quando se está doente. Na Alemanha, tem banho quente à disposição o ano todo. E não são aqueles chuveiros elétricos que dão choque quando você põe a mão, não. O sistema de aquecimento da casa se encarrega de levar água quente para as torneiras, chuveiro e máquina de lavar. Coisa boa um banho quente.

Eu sei, eu também quero. Onde se pode comprar um?
Só mais tarde descobri a relação dos alemães com os banhos. Dizem que brasileiro toma muito banho. Eu sempre achei exagero quem toma mais de dois banhos por dia (a não ser num dia de esporte). Já ouvi dizer de pessoas que tomam cinco banhos diários. Oi? Acho que a máxima "um é pouco, dois é bom, três é demais" superválida no caso dos banhos. Tomo um antes de sair de casa. Isso é sagrado. Alemães tomam banho, sim. (Muitos falham no uso do desodorante, é verdade). Geralmente só um por dia. Ou à noite ou de manhã. Os que saem de casa sem tomar banho dizem "Mas eu já tomei banho antes de dormir, então estou limpo". Eu fico com vontade de dizer "Mas toda pessoa transpira enquanto dorme, não?". Segundo eles, lavar o rosto e passar uma toalhinha nas partes íntimas de manhã resolve o problema. Há os que tomam banho de manhã. Eu estou neste grupo. Não gosto de sair de casa sem tomar banho. O segundo banho diário às vezes acontece, às vezes não. Brasileiros relatam que os dermatologistas alemães dizem "Seus problemas de pele são causados pelo excesso de banhos". Nunca fui a um dermatologista, então não sei.

Uma vez decidi tomar um banho mais longo. Estava cansado e queria relaxar no chuveiro. Meu Mitbewohner (flatmate; o rapaz que morava comigo) alemão reclamou. Disse que tinha passado uns 20 minutos no chuveiro. Ele reconheceu que vez por outra ele tomava um banho de banheira, mas era só vez por outra (a propósito, não gosto de banho de banheira. Sei lá. Sinto-me como se estivesse me deitando no chão do banheiro. Prefiro o chuveiro). Pois bem. Esta foi a primeira e única vez que tomei um banho longo. Não por ele ter reclamado, mas porque ele tinha razão. Nem sei se ele estava preocupado com o meio-ambiente ou apenas com a conta de água no fim do mês. Não importa. Eu nunca tinha ficado tanto tempo no chuveiro e sei que não devo fazer isso. Eu já tenho o hábito de parar a água enquanto eu passo sabonete ou shampoo. Muita gente deixa a água correndo. Acho importante não exagerar. Banho quente é bom. Muito bom. Mas não é terapia e sim uma medida de higiene. Banho de 20 minutos? Que corpo é esse que precisa de 20 minutos pra tirar a nhaca? Nein, danke!

Um dia eu vi esse mesmo rapaz que morava comigo lavando a sua bicicleta no pátio. Pegou um baldinho com água, colocou um produto de limpeza na água, pegou uma esponja e desceu para lavar a sua bicicleta. Lavar a bicicleta significava pra ele passar uma esponja molhada para tirar a sujeira da bicicleta. Quando vi a cena me lembrei da minha infância. Quando meu irmão e eu íamos lavar nossas bicicletas, colocávamos as bicicletas no quintal, ligávamos uma mangueira e brincávamos com essa mangueira ligada por pelo menos uma hora. Ao ver o baldinho daquele alemão me senti péssimo. Pensei em todos litros e litros de água desperdiçados para "lavar a bicicleta". Depois me lembrei de mais mangueiras ligadas lavando calçadas (lavar calçada para quê?). Torneiras ligadas enquanto se escovam os dentes. Torneiras ligadas enquanto se passa o detergente na louça. E tantos e tantos outros desperdícios tidos como normais. Eu dizia pra mim mesmo "Se um dia acabar a água no mundo, a culpa é minha. Eu lavava a minha bicicleta com mangueira".
Fonte: http://bit.ly/1sLiIJP

E foi com um pouco de sentimento de culpa que vi a foto ao lado (clique aqui para saber mais sobre a foto). Doeu, pois é meu país. Doeu mais ainda por saber que poderia ter sido evitado. Doeu por eu já ter desperdiçado água. E não, não é culpa de São Pedro. Nem de Deus. O fato é que a falta d'água é uma realidade. E os três banhos diários de muita gente precisam ser repensados.

Ninguém precisa sair do Brasil pra aprender a economizar e valorizar a água. Não estou dizendo que só aprendi a economizar água na Alemanha. Alguns costumes (como o de fechar a torneira enquanto escovo os dentes, de não deixar o chuveiro aberto quando não estou embaixo dele) sempre fizeram parte da minha rotina. Mas vir à Alemanha me fez ver como a atitude que temos perante a água é algo fortemente cultural. Se é cultural, ela é maleável, adaptável. E faz parte da minha integração à Alemanha aprender com essas diferenças.
Peraí: Mas tomar banho de gato com uma toalhinha úmida é demais, né?

Atenção: O texto acima contém impressões e reflexões pessoais baseadas nas minhas experiências. A intenção não é generalizar que todo brasileiro/nordestino/alemão age/pensa de uma determinada forma.

Para dicas de como economizar água:
1) http://g1.globo.com/sao-paulo/blog/como-economizar-agua/1.html
2) http://www.xixinobanho.org.br/
3) http://www.ecycle.com.br/component/content/article/35/1229-seja-vegetariano-ao-menos-uma-vez-por-semana.html

(em alemão): http://www.wasser-sparen.org/

19 de outubro de 2014

Vida na Alemanha: Greve

Estação Central de Bremen
Ontem começou uma greve (Streik) dos maquinistas (Lokführer) da Deutsche Bahn que vai até segunda-feira.

Para quem não sabe, a Deutsche Bahn é a maior empresa de trem da Alemanha (e a mais importante da Europa). A DB, na verdade, é a empresa gestora de várias outras empresas menores, todas estatais - ou seja, o capital da empresa é da federação. Já houve alguns planos de privatização, mas desde 2011 esses planos foram deixados de lado. Assim como os correios, antigos funcionários da Deutsche Bahn eram contratados como funcionários públicos (Beamten). Hoje em dia, isso mudou em muitos postos do serviço público alemão. Muitas vagas que antes eram ocupadas por Beamten, hoje são ocupadas por funcionários/empregados (Angestellten). O emprego continua fixo, mas os Angestellten não têm os mesmos privilégios dos Beamten.

A causa da greve foi, como sempre, negociações falhas entre a DB e o sindicato (Gewerkschaft) dos maquinistas. Os maquinistas querem um aumento e querem que todas as negociações levem em consideração não só os maquinistas, como também os outros funcionários da empresa (como o pessoal da gastronomia, os fiscais etc.). O problema é que esses outros funcionários têm o seu próprio sindicato e o Sindicato dos Maquinistas não os representa. Eles fizeram greve na quarta-feira passada e como as negociações não foram satisfatórias, fizeram mais uma greve esse fim de semana.

Nessas horas, quem não entende alemão fica perdido, pois a maioria dos anúncios (tanto on-line quanto nas estações) é feita em alemão e não se pode exigir que todos os funcionários falem inglês.

Por que estou aqui explicando sobre a greve? Porque essa pode ser uma boa oportunidade de se aprender vocabulário relacionado a trens e à greve em si.

Se você clicar no seguinte link poderá ler o anúncio e as informações da greve:
http://www.bahn.de/p/view/home/info/streik_gdl_102014.shtml

Também você pode ler as notícias publicadas no portal da revista Spiegel: http://www.spiegel.de/reise/aktuell/bahnstreik-am-wochenende-das-muessen-sie-wissen-a-997663.html

Vou aqui fazer uma pequena seleção de palavras importantes relacionadas ao tema greve:
(der) Streik, -s - greve

E compostos com a palavra Streik:
streiken - fazer greve
(der) Streikzeitraum, -räume - duração da greve
(der) Warnstreik, -s - greve de advertência
streikbedingt - relacionado à greve; causado pela greve (ao pé da letra: condicionado à greve)
im Streikfall - em caso de greve
(der) Streikbeginn - início da greve

Existem algumas palavras formadas com Streik que não têm a ver com a essa greve dos maquinistas em si, mas que podem ser interessantes, como Hungerstreik (greve de fome) ou Streikrecht (direito de greve).

Outras palavras importantes para entender as notícias:
(die) Gewerkschaft, -en - sindicato
(die) GDL (Gewerkschaft Deutscher Lokomotivführer) - Sindicato dos Maquinistas Alemães)
(der) Lokführer; (die) Lokführerin - o/a maquinista
den Zugverkehr lahmlegen - paralisar o tráfego ferroviário

Em relação ao vocabulário do sistema ferroviário há muitas palavras importantes:

Fernverkehr vs. Nahverkehr 
Antes de qualquer coisa a palavra Verkehr quer dizer tráfego, trânsito. Temos também fern - longe; nah - perto. O Fernverkehr se refere a qualquer trajeto de média e longa distância. O Nahverkehr se refere a trajetos de curta distância, geralmente dentro de uma mesma região.

A Deutsche Bahn faz uma diferença em tipos de trem para cada tipo de trajeto. Os seguintes veículos fazem parte do Nahverkehr:

(die) Straßenbahn, -en - bonde, também conhecido como (die) Tram
(die) S-Bahn, -en - trem rápido. Muita gente pensa que é a abreviação de "Straßenbahn". O S-Bahn não é um bonde, mas um trem rápido que liga, geralmente, uma cidade grande à região metropolitana e/ou cidades da região. S-Bahn vem de Stadtschnellbahn ou simplesmente Schnellbahn. Além de conectar a cidade a lugares da redondeza, em cidades grandes os S-Bahnen ajudam a percorrer mais rápido trajetos que o metrô ou o ônibus percorreriam em mais tempo. Em geral as linhas de S-Bahn são marcadas com a letra S.
(die) U-Bahn, -en - metrô. O "U" da palavra U-Bahn vem de "Untergrund' (em inglês: underground), ou seja, 'subsolo, subterrâneo'. Em português: metrô.
(die) Schwebebahn, -en - trem suspenso. Típico de Wuppertal. (Dá uma olhadinha aqui)
(die) Regionalbahn, -en - trem regional. Existe o RB (Regional-Bahn) e o RE (Regional-Express). A diferença é que o RE faz menos paradas que o RB. Os trens regionais têm capacidade maior de passageiros do que o S-Bahn, além de circularem com menos frequência. Mesmo passando muitas vezes  pelas mesmas paradas que os S-Bahnen, quase sempre fazem trajetos maiores.

Muitas vezes as pessoas se referem a qualquer um dos veículos anteriores como Bahn.

Já os veículos do Fernverkehr são chamados de "Zug".
Fahrt fällt aus - Trajeto cancelado

(der) IC(-Zug): Intercity. Mais confortável que os trens regionais. As cadeiras são (quase sempre) reclináveis. Fazem trajetos bem mais longos ligando, às vezes, diversas regiões da Alemanha ou até mesmo países vizinhos.
(der) ICE(-Zug): Intercity-Express - mais confortável e (geralmente) mais rápido que o IC. Como ele é Express, normalmente tem menos paradas que o IC.
(der) EC(-Zug): EuroCity - trens internacionais. O diferencial é que os funcionários geralmente falam mais de um idioma.

Nesses trens não são aceitos tickets como o Schönes-Wochenende-Ticket ou tickets regionais como Niedersachsen-Ticket, Bayern-Ticket etc.

Bem, agora que dá pra entender o que é Fern- e Nahverkehr, fica talvez mais fácil de entender os textos relacionados à greve.

Alguns exemplos: "Im Nahverkehr der Deutschen Bahn (einschließlich den S-Bahnen) wird es während des kompletten Streikzeitraums zu Ausfällen und Verspätungen kommen".

(der) Ausfall, -fälle - interrupção (no caso: cancelamento do trajeto)
(die) Verspätung- en - atraso

"Kostenfreie Erstattungen von Fahrkarten aufgrund streikbedingter Zugausfälle"

(die) Erstattung, -en - restituição; erstatten - restituir
kostenfrei; kostenlos - gratuito
(die) Fahrkarte, -n - bilhete, passagem, ticket

"Fahrgästen, die aufgrund von streikbedingten Zugausfällen, Verspätungen oder Anschlussverlusten ihre Reise nicht wie geplant durchführen können, bietet die Deutsche Bahn die Möglichkeit, ihre Fahrkarte und Reservierung innerhalb von 6 Monaten im DB Reisezentrum oder in den DB Agenturen und bei Online-Tickets über www.bahn.de kostenlos erstatten zu lassen".

(der) Fahrgast, -gäste - passageiro
(der) Anschluss, -schlüsse - conexão (no caso, a troca de um trem para outro)
(der) Verlust, -e - perda

Para aqueles que nunca vieram à Alemanha, isto é uma chance de entender melhor o sistema ferroviário daqui. Para os que já moram aqui, pode ser uma chance de aumentar vocabulário. Conta pra gente, como foi essa greve para você? Perdeu algum trem? Ficou preso em alguma estação?

17 de outubro de 2014

Dilma, Aécio e a língua alemã


É incrível como volta e meia aparecem vídeos e textos supostamente escritos/falados em alemão com uma tradução meio fajuta. Como quase ninguém sabe alemão no Brasil, passa-se a impressão de que algum país do tal "primeiro mundo" se importa com as briguinhas do Facebook relacionadas à política brasileira.

Primeiro foi um texto dizendo que Merkel havia criticado Dilma (clique aqui). Esse texto viralizou na época e nós desmentimos a "tradução" fake do comentário da Merkel no blog. Depois apareceu um vídeo em que um político suíço começava a rir depois de ler algumas coisas sobre Lula (o vídeo vocês podem ver aqui). É claro que o discurso do político suíço não tem nada a ver com o Lula. Se procurarem no Youtube verão outras legendas diferentes, umas nas quais ele fala mal de Portugal (vocês podem ver aqui). Em outras palavras, cada um bota a legenda que quiser e as pessoas compartilham como se fossem verdade.



Bem, o novo texto do momento é o texto de um tal "economista alemão" apontando 7 motivos para reeleger Dilma. Recentemente vi esse texto (em alemão) sendo compartilhado (por acaso) por um desconhecido em sua página e ao ver o texto pensei (Nossa, quantos erros de alemão!). Não dei muita bola e deixei pra lá. Quando se tem um blog de alemão, as pessoas acabam enviando essas coisas pra mim. Aí finalmente descobri que o texto vinha sendo compartilhado por muita gente.

O texto foi publicado em português aqui. O título da matéria era Economista alemão indignado escreve 7 motivos para o Brasil reeleger Dilma. (vale a pena ler). O texto era assinado por um tal "Kurt Neuer" economista alemão.

O tal texto original (em alemão) foi, na verdade, publicado como comentário numa notícia on-line da revista alemão "Der Spiegel". Para quem quiser conferir, o texto alemão é o comentário número 9 desta notícia aqui.

O texto começa assim: Ich habe gelesen, dass letzten Tagen Brasiliens Präsident nicht gewählt zu werden sein kann. Ich bin damit schockiert. In letzten 10 Jahren ist die Art ganz verändert, wie in Deutschland sehen wir Brasil.

Gente, se esse cara é um economista "alemão", como é que ele escreveu um texto com erros tão grotescos de alemão? (Não sei se a pessoa que está por trás desse texto realmente estudou alemão, mas tá com cara de Gúgou Translêitor).

O objetivo desse tópico não é começar um briguinha entre PTistas e PSDBistas. Eu não estou nem um pouco interessado em saber se você é ou não a favor do PT. O interesse aqui é puramente linguístico. Por isso, eu proponho uma tarefa.

Se você fosse um professor que tivesse que corrigir essa "redação" do tal Kurt Neuer, mas sem colocar a sua opinião política no texto (ou seja, não vale colocar suas ideias, mas apenas fazer uma correção gramatical), que tal tentar corrigir o texto? Ou um parágrafo do texto? Ou uma frase do texto? Vamos tentar!

Lembrem-se: façam a sua campanha política no seu perfil pessoal, se quiserem, não aqui na página. Tentem ater-se apenas às correções gramaticais. Caso mesmo assim você queira dar o seu pitaco eleitoral, mantenha-se respeitoso. Ataques pessoais a outros leitores (ou a mim) serão apagados, tanto de quem defender o Aécio quanto de quem defender a Dilma. Como falei, não estou interessado na sua intenção de voto. A intenção aqui é meramente linguística.

EXERCÍCIO
Corrija os erros de alemão do texto do "pseudoeconomista" Kurt Neuer:
Texto em "alemão" aqui.
"Tradução" em português aqui:

P.S. Eu quase nunca leio/vejo nada que tenha "vale a pena ler/ver" ou "leiam/vejam antes que apaguem" ou "o que a Globo não mostra" em seu título, pois já sei que é algum título sensacionalista para algo bobo ou falso. Fica a dica :-)
P.S.² Não divulguem vídeos ou notícias no seu Facebook como se fossem verdadeiras sem verificar sua autenticidade. Você está pagando mico. Também não as divulgue sabendo que são fakes apenas para ajudar a espalhar um boato. Mentira tem pernas curtas.

16 de outubro de 2014

Gehört? Acusativo ou Dativo?

Egal ob drinnen oder draußen: Abfall gehört in die Tonne!
Olá! Vi essa mensagem em uma lixeira aqui em Berlim e fiquei na dúvida do porquê foi usado o acusativo ao invés do dativo. Se puder esclarecer, agradeceria imensamente!! Muito Obrigada  Abraços! Claudia Bach

Vamos lá: existem dois verbos hören (ouvir) e gehören (pertencer; fazer parte). Ambos têm o particípio gehört.


Já falei sobre eles no tópico sobre o pronome QUEM (clique aqui). Vou aqui reproduzir o texto (mas a resposta à sua pergunta vem logo depois):
Não devemos confundir gehören (pertencer; fazer parte) com o verbo hören (ouvir). Apesar de terem um particípio idêntico gehört, o verbo "gehören" é um verbo normal que pode ser conjugado no presente ich gehöre, du gehörst, er gehört etc.(...)

O verbo gehören tem dois significados mais comuns:

Se for usado com a preposição ZU (+dativo) ele significa "fazer parte", "ser parte".

Er gehört zu einer Kirche. - Ele faz parte de uma igreja.
Viele Länder gehören zu Europa. - Muitos países fazem parte da Europa.

Existe até uma expressão que diz: "Es gehört dazu" ou "Das gehört dazu", que quer dizer "São ossos do ofício", ou foi eternizado pelo Cléber Bam-Bam como "Faz parte" :-)

Se for usado sem a preposição ZU, apenas com o dativo, ele quer dizer "pertencer".

Dieses Buch gehört mir. - Este livro me pertence.
Diese CD gehört meinem Chef. Este CD pertence ao meu chefe.

Es gehört dazu - Faz parte
Se eu quisesse perguntar: "A quem pertence este CD?".... atentem para a pergunta "A quem?". Como a pessoa a quem algo pertence é usada no dativo com o verbo "gehören", em alemão teremos que dizer "Wem?" (A quem?).  "Wem gehört diese CD?" É claro que no Brasil não é muito comum ouvirmos "A quem pertence este CD?". O mais comum é ouvirmor "De quem é este CD?". 

Bem... agora vamos à sua pergunta.
Nos dois casos citados acima, o verbo gehören é usado com o dativo (um Dativobjekt sem preposição e um Präpositionalobjekt com a preposição ZU, que exige sempre o dativo).


Mas há um terceiro significado de gehören. Ele é usado com complementos de direção. 

Imaginemos a seguinte situação. Você acabou de se mudar e está tirando várias coisas das caixas de mudanças. Um amigo seu, que veio ajudar, pega uma almofada e pergunta "Onde eu devo colocar essa almofada?" (em outras palavras: "Essa almofada deve ir pra onde?"). O verbo gehören nesse caso assume um significado de que algo deve ir pra algum lugar.

A pergunta nesse caso é feita com Wohin? 

Die Tassen gehören in die Küche, aber wohin gehört das Kissen? 
As xícaras vão pra cozinha, mas onde ponho essa almofada?

Se você pegar o significado inicial de "pertencer" e "fazer parte", a ideia que o verbo gehören passa é que cada coisa deve ir para o "seu lugar", o lugar do qual faz parte. Sempre há uma ideia de deslocamento, de que algo será colocado em seu devido lugar. Por isso o uso do acusativo (Wohin?)

A frase contida na lixeira diz: Abfall gehört in die Tonne. - Lugar de lixo é na lixeira.

Espero que tenha ficado claro.

Um abração, Claudia

13 de outubro de 2014

Winke, winke

Pergunta da leitora Kátia:
Oi, Fábio. Ontem eu vi o vídeo dos Teletubbies que você postou e achei muito bom. Mas fiquei com uma dúvida. Por que os Teletubbies não dizem "Tschüss", nem "Auf Wiedersehen"? Eles usam outra palavra que fiquei sem entender: winke winke? Poderia me explicar? Adoro o seu blog. Bjs


Essa é uma pergunta interessante! :-)

"Winke, winke" vem do verbo alemão winken.

É um verbo regular (Perfekt: Ich habe gewinkt). Às vezes se ouve o particípio gewunken, mas gramaticalmente ele não é aceito como correto.

Quer dizer "acenar" para alguém. A pessoa para quem se acena fica no dativo. O objetivo pode ser variado. Pode-se winken tanto para saudar, para chamar a atenção, para chamar alguém quanto para se despedir.

Ich habe dem Kellner gewinkt.
Eu acenei para o garçom. (nesse caso, pedindo para que viesse à mesa)

No caso dos Teletubbies, como se trata de um programa para criancinhas muito pequenas, usa-se linguagem infantil. Existe uma expressão infantil "winke winke machen" que quer dizer "dar tchauzinho (com a mão)".

Por exemplo, quanto a titia preferida do bebê estiver indo para casa, a mamãe diz para a criança "Tante Anne muss jetzt gehen - mach mal winke winke" (dá tchauzinho).

É por isso que os Teletubbies fazem "winke winke" para os seus telespectadores infantis.

Zeit für Tubby-Winke-Winke :-)

Tem um momento (1:19) que a mulher do vídeo diz: "Die Sonne wird gleich untergehen. Die Teletubbies sagen 'Auf Wiedersehen'"


10 de outubro de 2014

Orações Relativas II - Acusativo

Este é o terceiro tópico sobre Orações Relativas. Seria melhor ler os tópicos na ordem:
Introdução aos Pronomes Relativos - Clique aqui
Parte I - Pronomes Relativos no Nominativo - Clique aqui
Parte III - Pronomes Relativos no Dativo  - Clique aqui.
Parte IV - Pronomes Relativos no Genitivo - Clique aqui.

Hoje vamos falar sobre Orações Relativas com os Pronomes Relativos no Acusativo.


Partindo do princípio de que você já tenha lido a parte I sobre os pronomes relativos no nominativo, vai ser mais fácil explicar a lógica da coisa.

Assim como no nominativo, os pronomes relativos no acusativo têm forma idêntica aos artigos definidos. A única diferença entre o nominativo e o acusativo está no gênero masculino singular ("der" vira "den").

A regra é a mesma: O gênero (masculino, feminino ou neutro) e o número (singular ou plural) quem dá é o substantivo que vem ANTES da vírgula. O caso (nominativo, acusativo, dativo ou genitivo) é dado pela função que o pronome assume na oração. Para isso precisamos revisar que funções o acusativo pode assumir em alemão:

O acusativo é usado (entre outras coisas) para marcar:
1) complemento verbal sem preposição - (chamado em alemão de Akkusativergänzung ou Akkusativobjekt). Por exemplo, na maioria dos casos equivalente ao famoso objetivo direto.

Sie liebt ihren Freund. - Ela ama o seu namorado.

2) complemento verbal preposicionado - (chamado em alemão de Präpositionalergänzung). Com preposições que regem o acusativo. Você pode ler mais sobre isso aqui.

Sie interessiert sich für diesen Film. - Ela se interessa por este filme.

3) complemento direcional - com preposições que podem ser usadas com o dativo e o acusativo, o acusativo é usado para indicar o destino final de um deslocamento. Você pode ler mais sobre isso aqui.

Wir fahren an den Strand. - Nós vamos para a praia.

Estes são os casos principais que indicariam o uso do caso acusativo. Agora vamos para as orações relativas. Vou tentar dar exemplos simples mais uma vez.

Hier ist der Mann, den Anna liebt. 

Regra: O gênero e o número são dados pelo substantivo antes da vírgula. Portanto o pronome relativo será masculino singular (por causa de "der Mann"). Vamos agora tentar descobrir o caso. "A Anna (sujeito) ama quem?". Ela ama o homem. Neste caso, "o homem" assume a função de objeto do verbo "lieben", por isso, acusativo. A tradução da frase seria: "Aqui está o homem que a Anna ama".

Agora imagemos que, na verdade, é o homem que ama a Anna, não o contrário. Suponhamos que a frase fosse "Aqui está o homem que ama a Anna". Neste caso, o homem não seria mais o objeto do verbo "amar", mas sim o sujeito. O sujeito em alemão é posto no caso Nominativo. Por isso, o pronome seria "der".

Hier ist der Mann, der Anna liebt. - Aqui está o homem que ama a Anna.

Reparem que em português nós não temos casos nominativo e acusativo, mas a ordem das palavras muda. Compare mais uma vez as duas orações:
Aqui está o homem que a Anna ama. - Hier ist der Mann, den Anna liebt.
Aqui está o homem que ama a Anna. - Hier ist der Mann, der Anna liebt.

Parece difícil, mas de fato, a única diferença está no gênero masculino. O feminino, o neutro e o plural são iguais ao nominativo.

Esta é a mulher que eu amo. - Das ist die Frau, die ich liebe.

Orações Relativas com Preposição no Acusativo
Quando um verbo exigir um complemento preposicionado ou um complemento direcional, a preposição é que determinará o caso a se seguir. Há preposições que exigem SEMPRE o acusativo (como ohne, für etc.), outras que exigem SEMPRE o dativo (como zu, mit etc.) e outras que podem exigir o acusativo OU o dativo (como in, an, auf etc.). No caso dos complementos direcionais, caso a preposição esteja entre aquelas que aparecem tanto com o acusativo quanto com o dativo, usa-se o acusativo.

A regra é a mesma das orações sem preposição, só com UMA ressalva: a preposição aparece ANTES do pronome relativo.

Digamos que alguém te perguntasse: "Für welchen Film interessierst du dich?" (Você se interessa por qual filme?) e você quisesse responder apontando para um DVD "Este é o filme pelo qual eu me interesso". Neste caso você teria que dizer:

"Das ist der Film, für den ich mich interessiere"

Vamos lá passo a passo:
1) O substantivo antes da vírgula é "der Film" - masculino, singular. O caso (nominativo) não importa, pois antes da vírgula apenas o gênero e o número influenciam o pronome relativo.
2) Na oração relativa o verbo conjugado deve aparece SEMPRE no final. É por isso que interessiere aparece como a última palavra.
3) A preposição für é usada só com o acusativo. A preposição aparece SEMPRE ANTES do pronome relativo.
4) Pronto: agora é só usar o pronome do gênero masculino singular no acusativo: DEN! Bingo!

Vou dar um exemplo agora com complemento direcional.
Digamos que você leve um amigo seu alemão de carro para a sua praia favorita no Brasil. No caminho você mostra a praia no mapa e diz: "Pronto! Ali é a praia para a qual nós estamos indo agora". Neste caso temos um complemento direcional. A praia, no caso, é o destino final do deslocamento. Existem duas preposições que você poderá usar para dizer "para a praia": AN e ZU. A preposição "ZU" é usada sempre com o dativo, não importa se é deslocamento ou não. Já a preposição AN é usada com o acusativo quando for um deslocamento. Como eu vou tratar do dativo no próximo tópico, vamos usar "AN".

Pronto! - So!
Da ist der Strand, an den wir jetzt fahren. 
Vamos lá passo a passo:
1) O substantivo antes da vírgula é "der Strand" - masculino, singular. O caso (nominativo) não importa, pois antes da vírgula apenas o gênero e o número influenciam o pronome relativo.
2) Na oração relativa o verbo conjugado deve aparece SEMPRE no final. É por isso que fahren aparece como a última palavra.
3) A preposição an é usada neste caso com o acusativo. A preposição aparece SEMPRE ANTES do pronome relativo.
4) Pronto: agora é só usar o pronome do gênero masculino singular no acusativo: DEN! Bingo!

Deu pra entender agora? :-)
No caso dos complementos direcionais, é possível também usar o "wohin" como pronome relativo. Assim fica bem mais fácil :-)
Das ist der Strand, wohin wir jetzt fahren. 

Com essas dicas acho que já dá pra treinar orações no acusativo. Tentem traduzir essas frases para o alemão.

Este é o filme de que eu não gostei. (Use o verbo mögen. Ponto extra para quem traduzir também usando o verbo gefallen)
Ali estão as garotas que eu vi ontem na festa.
Eu sempre compro os livros que você lê.

8 de outubro de 2014

Orações Relativas I - Nominativo

Este é o segundo tópico sobre Orações Relativas.

A primeira parte você tem que ler antes de ler esse tópico. Se não leu, clique aqui e volte para este tópico depois da leitura.
E este é o primeiro de uma série de tópicos explicando o uso dos pronomes relativos em cada caso do alemão.

Parte II - Pronomes Relativos no Acusativo, clique aqui.
Parte III - Pronomes Relativos no Dativo, clique aqui.
Parte IV - Pronomes Relativos no Genitivo, clique aqui.

Hoje vamos falar sobre Orações Relativas com os Pronomes Relativos no Nominativo. 



Como vocês percebem pela tabela acima, os pronomes relativos têm a mesma forma dos artigos definidos. Mas, por favor, não confunda os dois. Artigo se usa acompanhando um substantivo "der Mann". O pronome relativo se usa iniciando uma oração relativa. As orações relativas sempre são separadas por vírgula (às vezes por outro sinal de pontuação!) e o verbo conjugado sempre aparece no final da frase.


Há uma regra básica (dividida em três passos) que se aplica para todos os pronomes relativos em qualquer caso.
1) Os pronomes relativos variam em gênero (masculino, feminino, neutro), número (singular, plural) e caso (nominativo, acusativo, dativo e genitivo).
2) O gênero e o número se baseiam no substantivo a que se refere (ou seja, o gênero e o número você retira do que estiver ANTES da vírgula).
3) O caso se baseia na função do pronome dentro da oração relativa (ou seja, o caso você deve descobrir depois da vírgula, entre as vírgulas, ou entre a vírgula e a próxima pontuação).

Vou dar exemplos bem simples para começar:
Hier ist der Mann, _____ hier arbeitet.
Aqui está o homem que trabalha aqui.
Hier ist die Frau, ______ hier wohnt. 
Aqui está a mulher que mora aqui.
Hier ist das Kind, ______ Englisch lernt. 
Aqui está a criança que estuda inglês.

Preste atenção nas três frases anteriores. Agora pense na regrinha anterior:
GÊNERO, NÚMERO e CASO.

O gênero e o número você procura em algum substantivo ANTES da vírgula (eu marquei o artigo de vermelho). Quase sempre o substantivo que você procura estará coladinho com a vírgula. 
Hier ist der Mann, _____ hier arbeitet. - Nesse caso o substantivo "Mann" é do gênero masculino e (número) singular.  Então já sabemos que o pronome relativo que se refere ao substantivo "Mann" também terá que ser masculino e singular

Para definir em que caso (nominativo, acusativo, dativo ou genitivo) o pronome estará, temos que olhar para o que vem DEPOIS da vírgula. 

Neste caso a frase depois da vírgula em português é "que trabalha aqui" (ou seja, "O homem" [mencionado antes da vírgula] "trabalha aqui).
Como nós sabemos, o nominativo é o caso do sujeito e do predicativo do sujeito das orações. Quem trabalha aqui? O homem. Ele então é o sujeito dessa frase. Por isso o caso será NOMINATIVO.

Hier ist der Mann, der hier arbeitet.

Seguindo essa mesma lógica, fica fácil fazer os outros exemplos:
Hier ist die Frau, die hier wohnt. (A mulher mora aqui - sujeito. Por isso, nominativo)
Hier ist das Kind, das Englisch lernt. (A criança estuda inglês - sujeito. Por isso, nominativo)

Se é tão simples assim, qual o perigo que há de errar?
Bem, o grande perigo consiste na confusão por causa dos casos que vêm antes e depois da vírgula.

Preste atenção aos exemplos seguintes:
Ich kenne den Mann, _____ hier wohnt. 
Eu conheço o homem que mora aqui.
Ich arbeite mit der Frau, _____ hier wohnt.
Eu trabalho com a mulher que mora aqui.

Muita gente colocaria no primeiro exemplo o pronome relativo "DEN", baseando-se na primeira frase, assim: Ich kenne den Mann, den hier wohnt. Mas isso está errado. Lembre-se da regrinha: o gênero e o número você procura antes da vírgula. Mas não o caso. O caso está depois da vírgula, dentro da própria oração relativa.

- "den Mann", está no acusativo, masculino, singular. A única coisa que nós pegamos antes da vírgula é o GÊNERO e o NÚMERO, não o caso. Ou seja, o pronome deve ser "masculino e singular".
- para descobrir o caso temos que ler a oração relativa "que mora aqui". Nesse caso, "o homem mora aqui". Ele é o sujeito. Por isso, NOMINATIVO. A frase correta seria: Ich kenne den Mann, der hier wohnt. 

O mesmo vale para o segundo exemplo. Ich arbeite mit der Frau, _____ hier wohnt.
Apesar de "der Frau" estar no caso dativo, o caso não se pega do que vem antes da vírgula. A função do pronome "que" na frase "que mora aqui" é de sujeito. Caso nominativo. Por isso, a frase ficaria assim: Ich arbeite mit der Frau, die hier wohnt.

Repetindo a regra: Gênero e número se buscam ANTES da vírgula. O caso DEPOIS da vírgula.

Como usar essas orações na vida prática?
Como gostaria de praticar hoje APENAS as orações no nominativo, o ideal seria descrever coisas que pessoas fazem ou fizeram. Se você tiver um nível bom, poderá também fazer frases no passado. É só lembrar de colocar os verbos conjugados lááááááá no fim da oração.

Pense numa pessoa famosa e tente imaginar algumas coisas que esta pessoa fez ou algumas características desta pessoa. Por exemplo... vou descrever aqui uma pessoa:

Sie ist eine Frau, die 51 Jahre alt ist
Sie ist eine Frau, die blond ist.
Sie ist eine TV-Moderatorin, die in Brasilien, Argentinien, Spanien und in den USA gearbeitet hat.
Sie ist die Frau, die "Ilariê" und "Tindolelê" singt.
Wer ist sie?

Sabe quem é? :-) É a XUXA, claro. É uma mulher QUE tem 51 anos, QUE é loira, QUE trabalhou no Brasil, na Argentina etc e QUE canta Ilariê. Em todos estes exemplos o pronome QUE exercia a função de sujeito da oração relativa, às vezes como sujeito de uma ação (cantar Ilariê) ou apenas de uma característica da pessoa (ser loira). Dá pra entender como se aplica isso na vida real?
Então jogue com seus amigos... descrevam pessoas famosas e vejam se eles adivinham quem é :-) Tentem dizer frases como "É o cientista QUE inventou ..." ... "QUE ganhou o prêmio..." ou "É um cantor QUE é casado com ... " ... "QUE canta a música X"..

Outras situações da vida real onde você usaria orações relativas (tente traduzi-las para o alemão)
Eu adoro esse ator QUE faz o papel de Wolverine.
Você viu o dicionário QUE estava aqui na mesa?
Você gosta desses doces QUE têm sabor de hortelã?

Mãos à obra! O tópico sobre o acusativo virá em breve.

1 de outubro de 2014

Der, die, das ou DASS? Eis a questão

Eu me lembro muito bem das minhas aulas de português dos tempos da escola. Nas escolas onde eu estudei, a aula de português se resumia praticamente ao estudo da Gramática Normativa. Às vezes nós líamos alguma obra literária (ou livro paradidático), que também caía na prova. Mas o mais importante da prova era saber fazer uma análise sintática, saber conjugar um verbo irregular na Segunda Pessoa do Plural do Pretérito Mais-Que-Perfeito do Indicativo ou saber classificar uma oração como Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta Reduzida de Infinitivo. Quem soubesse dizer esses nomes gigantescos era porque "sabia português". Dentre as coisas das quais nunca me esqueço das aulas de português eram as das "funções do SE" e "funções do QUE", onde os alunos eram forçados a dizer se um "se" era "uma partícula expletiva ou de realce" ou "índice de indeterminação do sujeito".. entre outras coisas. A pergunta que me faço agora é... você se lembra ainda de todas as funções do "que" em português? :-) Tenho certeza de que para a grande maioria a resposta vai ser "não".

Por isso, gostaria de focar este tópico em apenas DUAS funções do "que".
1) Conjunção Integrante
2) Pronome Relativo

Conjunção Integrante
O que a gramática normativa brasileira chama de "conjunção integrante" é uma "conjunção subordinativa", ou seja, ela inicia orações subordinadas - no caso orações subordinadas substantivas (você ainda sabe o que é isso?)

a) É bom que você esteja aprendendo alemão.

Nesse caso é uma oração na função de sujeito. O que "é bom"? Que você esteja aprendendo alemão

b) Eu sei que você não gosta de estudar alemão.

Nesse caso é uma oração na função de objeto direto do verbo "saber". "Eu sei" o quê? Que você não gosta de estudar alemão.

Em ambos os casos acima, o "que" é uma conjunção integrante.

O conectivo alemão que equivale ao "que - conjunção integrante" é o DASS. Por ser uma oração subordinada, o verbo conjugado vai para o fim da oração.

É bom que você esteja aprendendo alemão.
Es ist gut, dass du Deutsch lernst. 

Eu sei que você não gosta de estudar alemão.
Ich weiß, dass du ungern Deutsch lernst. 

Nesse último caso, a conjunção "dass" também poderia ser omitida, mas sobre isso já foi falado em outro tópico (clique aqui)
Se você quer saber por que se usou uma vírgula antes de "dass", pode ler sobre o uso da vírgula aqui.

Pronome Relativo
O nome "relativo" vem da palavra "relação", ou seja, é um pronome que faz uma relação / está relacionado a outro elemento da oração.

Vejamos o exemplo:
Aqui está o homem que me ajudou ontem.

Reparem que o "que" desta oração faz referência ao substantivo "homem" anterior a ele. Isso ajuda a evitar a repetição do substantivo.

Aqui está o homem. O homem me ajudou ontem.
Aqui está o homem QUE me ajudou ontem.

Aqui está a mulher. A mulher me ajudou ontem.
Aqui está a mulher QUE me ajudou ontem.

Dá para entender o que é um pronome relativo? :-)

Pois bem. Traduzamos as duas frases para o alemão.

Hier ist der Mann. Der Mann hat mir geholfen. 
Hier ist die Frau. Die Frau hat mir geholfen.

Aqui começam os erros dos aprendizes de alemão de língua portuguesa. Conheço muita gente que usaria a conjunção "DASS" nesses casos também.

Hier ist der Mann, DASS mir geholfen hat.  (ERRADO)

Esse erro é bastante comum entre falantes de português. O motivo é simples: a conjunção "DASS" é uma das primeiras palavras que os estudantes aprendem. Tem-se a impressão de que sempre se usa "DASS" quando em português se diz "QUE". Mas não é bem assim (infelizmente).

Os pronomes relativos em alemão variam (INFELIZMENTE) em gênero, número e caso. A tabela dos pronomes relativos é praticamente igual à dos artigos definidos. As diferenças estão principalmente no caso genitivo e no dativo plural. Se você já souber os artigos definidos, saberá qual pronome usar.  Por exemplo: os artigos definidos no nominativo são:

masculino: der
feminino: die
neutro: das
plural: die

Pronto. Facílimo. Os pronomes relativos têm a mesma forma :-) Ou seja, o que em português é dito sempre com uma palavra "QUE", em alemão vai variar conforme o gênero e número do substantivo ao qual se refere e vai variar conforme o caso que o pronome exerce na oração.(Percebam que o verbo conjugado também vai para o fim da oração e as orações são separadas por vírgula)

Exemplos:
Hier ist der Mann. Der Mann hat mir geholfen. 
Hier ist der Mann, der mir geholfen hat.

Hier ist die Frau. Die Frau hat mir geholfen.
Hier ist die Frau, die mir geholfen hat. 

Digamos que a oração fosse: "Aqui está o homem que eu ajudei". Veja que em português o pronome é sempre "que".

Nesse caso, teríamos que pensar em como se diz "Eu ajudei o homem" para saber qual pronome relativo usar. Como o verbo helfen se usa com o caso dativo, a frase ficaria "Ich habe dem Mann geholfen"

Hier ist der Mann, dem ich geholfen habe. 

Tá, eu sei. É um saco isso. É uma só palavra em português (que) e mais uma vez você terá que saber se um substantivo é "der", "die" ou "das" para dizer uma mísera palavrinha que une as duas orações. Mas pense por outro lado. Se você tivesse que repetir o substantivo, também teria que saber o gênero, número e caso. Portanto, aceita que dói menos :-)

Por que os cursos ensinam as orações relativas tão tarde?
Não sei bem a partir de que semestre os alunos são apresentados às orações relativas, mas acredito que seja algo entre o fim do A2 e o B1. O problema é que para realmente dominar as orações relativas, o aluno precisa dominar também não só os gêneros das palavras, mas também os casos (nominativo, acusativo, dativo e genitivo). Isso faz com que esse conteúdo apareça bem mais tarde. 

Só que eu, particularmente, acho isso muito problemático por duas razões principais:
1) Quando os alunos aprendem orações relativas, a maioria já vai ter passado meses sempre usando "DASS". Há um grande perigo de esse erro se fossilizar (fossilização quer dizer repetir uma forma errada tantas vezes que fica difícil se acostumar com a forma correta mais tarde).
2) Orações relativas são uma ENORME ajuda para quem ainda fala pouco alemão. Apesar de parecer complicado no início, elas são úteis para descrever coisas quando lhe faltarem as palavras. Digamos que você não saiba como se diz a palavra "colher" em alemão. Bastaria descrever "É aquela coisa que a gente usa para tomar sopa, para levar a sopa a boca". Esse "que" é um pronome relativo. A meu ver, um aluno do A1-A2 já deveria ser capaz de descrever para que servem objetos com palavras simples para ajudá-los a suprir a falta de vocabulário. 

Existem outros tópicos sobre orações relativas no blog, mas aqui vocês já podem ver a tabela comparativa entre artigos definidos e pronomes relativos. Percebam que ela é quase igual, a não ser no genitivo e no dativo plural. 


Pensem bem antes de usar um "DASS" quando você quiser dizer "que". Pode ser que esse "que" seja na verdade um "der", ou um "die", ou um "den", ou um "das", ou um... :-)

Para ler os tópicos sobre orações relativas caso a caso, comece clicando aqui.
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